António Pessoa.
Hoje e Amanhã... António Pessoa, hoje
é mais que un artista, mais que um comunicador
do universo plástico contemporâneo, mais
que um modelo que muitos colegas de oficio e profissão
tentam seguir. António Pessoa hoje é uma
Marca, uma referência exacta dentro do núcleo
artistico total. Um jovem artista prematuramente bem
instalado no projecto de vida, familia e profissão
que ele e os seus colaboradores souberam inteligentemente
conceber, pacientemente estruturar e agora, em jeito
de manutenção vão seguindo o mesmo
critério de dinamismo, sobriedade e equilibrio,
elementos os quais justamente se adaptam como uma luva
à personalidade contemplativa do artista. Entre
a figura pública e o homem, existe a mesma diferença
que entre o dia e a noite. É muito frequente
ainda que muitos se enganem na hora de avaliar António
Pessoa, não na sua indiscutivel qualidade artistica,
mas sim na sua postura pessoal perante a vida, perante
si mesmo, perante os que o rodeiam e num caso muito
particular e crucial, perante o mercado da arte e todos
os que nele estão directa ou indirectamente envolvidos.
Frequentememte criticado por ser arrogante, altivo e
até déspota, apenas felizmente, por aqueles
que não o conhecem, para não falar dos
invejositos de meia tigela que da má lingua se
viciam porque melhor não sabem fazer nem dizer;
António Pessoa sem grande esforço, diga-se
de passagem, faz ouvidos de mouco, já que tudo
joga a seu favor para dar-se ao luxo de não fazer
caso a escupidelas sem saliva e mordidelas sem caninos.
Nada melhor que para um pintor do seu calibre para pura
e simplesmente estar-se nas tintas... e mesmo que não
estivesse, verdade seja dita, também não
teria tempo para isso! Claro que me refiro essencialmente
a galerias de arte da segunda divisão que pensam
que são grande coisa, aparentando aquela altivez
saloia dos pobres pretenciosos a Jet Set com patéticos
ares de snobismo de curso por correspondência,
uma formação artistica empiricamente insuficiente
e pior de tudo uma perspectiva do mercado de arte global
absolutamente obsoleta e desqualificada. Uma vez mais,
perante esta hilariante realidade, António Pessoa
desconsoladamente não tem outro remédio
que recorrer (metaforicamente falando) a anestesia local!
Desliga, esquece e ponto final. Hoje, como se não
bastasse o Ciclo Zodiaco para lhe tirar toda a produção
actual das mãos e garantir-lhe um nivel de vida
muito mais além das suas necessidades básicas,
por assim dizer... Hoje, como se não bastasse
o infinito leque de luxuosos hoteis prontamente disponiveis
para expõr a sua Obra... Hoje, artista António
Pessoa, é um profissional que sabe com milimétrica
precisão aquilo que quer, como, quando e onde...
e em que bases de acordo e modelo de trabalho poderá
eventualmente colaborar com as Top galerias de arte.
Isto nada tem a vêr com arrogância, mas
sim, aliás como qualquer cidadão com dois
dedos de testa pode facilmente concluir, com um elevado
grau de exigência, um notável calibre de
honestidade, postura, atitude e principalmente um imaculado
sentido de profissionalismo! É este António
Pessoa, um corajoso homem que sobreviveu com notável
dignidade e dedicação, a todos estes anos
de boas e más experiências no mercado da
arte contemporânea, absorvendo e assimilando conhecimentos,
ensinamentos, calo e maturidade. Ao que tudo indica
o artista e comunicador, Hoje... prepara-se tranquilamente
para o Amanhã, na certeza porém de que
na pior das hipóteses tudo irá ser estruturado
da única forma possivel. À sua maneira!
Por conseguinte, o inventor da New Era, ainda vai dar
muito mais que falar, mas decididamente à sua
maneira e tudo o que não vá de encontro
a este nobre conceito é o mesmo que dizer que
nunca aconteceu nem vai ter lugar. António Pessoa
deste modo e desta maneira, acaba não só
por estar no mundo da arte com nobreza, prestigio, dignidade
e profissionalismo, como também por enobrecer,
prestigiar e engrandecer a classe dos jovens artistas
plásticos. Efectivamente desde hà uns
tempos até à data , António Pessoa
é sistematicamente consultado por colegas artistas
de todos os cinco continentes, pedindo-lhe conselhos
na esperança de obterem respostas a infindáveis
e tumultuosas dúvidas, na esperança de
sentirem nas mãos o molho de chaves capaz de
abrir algumas portas deste mundo elitista e impiedoso
que é o mercado de arte hoje em dia. António
Pessoa, um homem com o mundo nas mãos,não
se esforça por aparentar humildade, pois a sua
é legitima, natural e latente.Um artista português
que embora tranquilamente soberano, não deixa
para amanhã o que pode fazer hoje. Um homem sobriamente
tranquilo, porém decididamente um homem de acção.
Sem dúvida as qualidades flagrantes que o têem
transportado sem especial esforço até
ao lugar ao sol onde hoje se encontra, não menosprezando
a sua inegável genialidade ,esse talento exuberante
e abundante, o qual aliado a uma estranha e rara capacidade
laboral, fazem a quimica, o Todo, o fenómeno,
a marca António Pessoa. Amanhã, que é
quando o hoje deixa de ser hoje para ser ontem, o artista
português uma vez mais viaja a Nova Iorque,Chicago,Los
Angeles e San Francisco para reestabelecer o ideia do
seu Projecto. Escusado será dizer que não
serão necessários grandes preâmbulos
de retórica,nem exaustivas sessões de
negociações bilaterais, como quem desesperada
e obstinadamente busca soluções mediocres
"alternativas". Efectivamente, António
Pessoa desde hà muito tempo que leva "take
it or leave it" escrito no brilho do seu olhar,
na imobilidade desconcertante que só uma profunda
segurança e tranquilidade permitem. E como se
tudo isto não fosse mais do que suficiente, a
New Era do artista luso atingiu o centro do alvo, apanhando
o mundo intelectual de surpresa e colocando o conceito
de arte contemporânea numa situação
embaraçosamente dificil. António Pessoa,
sem tirar nem pôr, sem pré-avisos, enfadonhos
preliminares, voluminosas teses nem conferências
de imprensa, deu o seu vanguardiata conceito denominado
Contemporary Plus como dado adquirido, pintado e assinado.
Dito e feito, sempre invariavelmente à sua maneira!
E à sua maneira será! Contemporary Plus,
fez com que a muitos se lhes caissem os dentes, ainda
não de todo recuperados do impacto da New Era-
António Pessoa, o conceito aparentemente inocente
e aparentemente simplesmente estético de Contemporary
Plus, vai tomando gradualmente uma função
clinicamente devastadora, de facto provocando um efeito
que vai fazendo com que a noção de arte
contemporânea seja uma corrente digna de museu,
dignamente "démodé",elegantemente
ultrapassada e historicamente arquivada! E a questão
que fica por agora suavemente pairando no ar, é:
Que mais cartas-surpresa terá António
Pessoa escondidas na manga? Um Ás de Ouros? Suites
Alba Resort & Spa Praia da Albandeira apto. 1025
Carvoeiro ~~ Algarve ~~ Portugal www.suitesalbaresort.com
tel . 00351 282 380 700 Exposição de pintura
. António Pessoa Primavera e Verão Parece
que afinal de contas o artista consegue fazer prevalecer
a sua vontade, dando-se a conhecer um pouco mais no
seu próprio país. Pois, vejamos se para
a pintura tem demonstrado ter engenho e arte para dar
e vender, faltava tirar a prova dos nove,se ainda assim
António Pessoa conseguia convencer Vicente Fernández
Lago, a decidir-se finalmente a divulgar de uma forma
mais adequada, a sua obra em terras lusas. O Sr. Fernández
Lago, apesar da fama que tem de ser um homem teimoso
e muito fiel aos seus caprichos, no que se refere a
António Pessoa felizmente sempre parece fazer
uma pausa na sua obstinada natureza, concedendo ao artista,
por respeito, por hábito e também às
vezes até por distração, essa cedência
por influência de uma simpatia moral e vamos lá
vêr, até mesmo pragmática. E o resultado
começa a estar à vista com três
"long play"exposições simultâneas
e outras que tantas já programadas para esta
temporada de Primavera-Verão na bela Galiza.
António Pessoa precocemente reformado, que é
como quem diz, como se sabe, porém pelo menos
na sua atitude e modelo de vida dá visiveis sinais
de estar bem onde está, restringindo o seu circulo
de amigos intimos ao minimo imprescindivel e desta forma
preservando uma certa qualidade social, que não
só o inspira e o enriquece espiritualmente, como
o vai por assim dizer protegendo de más influências
e de interferências negativas. Intrinsecamente
desinteressado por questões mundanas como fama,
dinheiro, compromissos sociais cerimoniosos e acima
de tudo cada vez mais insensível ao ritmo estupefaciente
das grandes urbes, Home Studio-Antonio Pessoa reveste-se
cada vez mais de uma atmosfera de trabalho plástico,silêncio
e pensamento,estudo,análise politica e social,
invenção, lazer e contemplação.
Esta exposição patente ao público
todos os meses de Primavera e Verão adapta-se
bastante ao critério estético e até
climático de António Pessoa, artista bastante
habituado à atmosfera da Dolce Vita do sul da
Peninsula desde a sua adolescência, apesar de
ter vivido seis anos entre Londres e Amsterdam. Ainda
que Worlwide seja um projecto que lhe vai exigir ceder
e abdicar do conforto semi-tropical no qual se encontra
como um peixe dentro de água, para enfrentar-se
à turbulência de cidades como Nova Iorque,
Chicago, Los Angeles, Dallas e até mesmo em sua
casa, Barcelona, facto que verdade seja dita para o
artista consiste muito mais em sofrimento do que em
prazer, António Pessoa faz o sacrificio e toma
inteiramente a responsabilidade perante si mesmo e naturalmente
perante os muitos colaboradores que dependem e vivem
exclusivamente do e para o projecto. Obviamente ainda
sem certezas concretas é contudo muito possivel
que o pintor português venha durante estes meses
de Primavera e Verão a marcar algumas vezes presença
neste paraiso algarvio, obviamente dependendo também
da sua voluminosa agenda. Tendo sido sempre a sua região
favorita em Portugal, onde o artista já viveu
e passou longas temporadas desde a sua adolescência,
o Algarve continua a provocar-lhe essa sensação
de bem-estar e êxtase o que muito provavelmente
pode significar que de facto apareça por aí,
quanto mais não seja para dar um ar da sua graça.
Sém dúvida que vale a pena se a alma não
é pequena, pegar na familia, meter-se no Popó
e vir até cá aos belos Algarves, claro
está no Carvoeiro, Suites Alba Resort & Spa,
em jeito de férias e naturalmente com os sentidos
apurados para visualizar uma das colecções
hoje em dia, mais representativas das artes plásticas
portuguesas. António Pessoa Expo Norte http://xornalgalicia.com/print.php?sid=18845
Hotel Albergaria Don Manuel e Galeria Dorian, apresentam
Expo Norte - António Pessoa .2007 Hotel Alberg.
Don Manuel tel . 251 809 700 . Rua da Igreja nº1
Gandra, Valença . Portugal Mais uma vez,depois
de dois anos, Hotel Albergaria Don Manuel abre as suas
portas ao público galego e do norte de Portugal
para outra retrospectiva da Obra de António Pessoa.
Ao que parece segundo fontes fidedignas muitas outras
exposições do artista luso estão
previstas aqui mesmo no jardim à beira-mar plantado.
Justamente a Obra que por estas terras galaico- portuguêsas
foi aqui executada pela inspiração e mãos
do artista, parece que por cá fica ,pelo menos
na sua esmagadora maioria. No periodo de Vigo, 1997-2002
, mais de 3.000 óleos sobre tela nasceram para
a eternidade no estudio de António Pessoa, para
não falar das centenas de aguarelas, técnicas
mistas e acrílicos sobre papel. Conveniente também
é não esquecer que o controverso album
Black and White foi concebido e editado no espaço
destes super-produtivos anos. Após uma época
de relevante trabalho do autor nos primeiros anos da
década de 90,estimulada e comercializada por
Alfredo Moreira enquanto António Pessoa viveu
no Porto; Vigo, Galiza, Espanha recebe de braços
abertos um artista português até à
data desconhecido em terras do Finisterre. Vigo será,
durante cinco divertidos anos de intensa fertilidade
artística, a cidade onde Antonio Pessoa vive
e trabalha e se apaixona pela terra e pelas suas gentes,
inclusive acabando por contrair matrimónio com
uma espanhola. António Pessoa acaba por tornar-se
no artista luso mais conhecido em terras galegas de
todos os tempos. Hoje em dia nem mesmo Vieira da Silva
parece gozar de tanta popularidade. Numa terra de boa
gente, mas onde os portuguêses até há
pouco tempo eram olhados de soslaio, António
Pessoa consegue a proeza das proezas tornando-se decididamente
num excelente embaixador de Portugal. Porém,
o artista desde muito jovem habituado aos pros e contras
de se ser estrangeiro (...e português!) em vários
paises europeus, nomeadamente em Amsterdam e Londres
onde viveu durante seis anos...em terras galegas não
se deixa ficar pela simples visita, mas sim acaba por
ser aceite como património cultural da velha
Galiza. Lorenzo Quinn, filho do mesmíssimo Anthony
Quinn, em finais dos anos 90 na noite da inauguração
de uma exposição de esculturas de sua
autoria, nada mais nada menos que no prestigioso Club
Financiero de Vigo conhece António Pessoa e incute-lhe,
por assim dizer, um bichinho chamado Barcelona. O artista
luso ainda solteiro e depois já casado faz diversas
viagens à cidade Condal, BCN, Sitges e Castell
Defels, acabando por instalar-se em Barcelona em meados
de 2002. Aqui começa uma nova etapa da sua vida
e muito particularmente a sua expansão na Europa
e Estados Unidos. Vicente Fernández Lago, Luis
Santiago, Nancy Igartiburu, Jacob Kotsky e Pierre Fontanals
(entre outros) acompanham-no nesta dificil mas fascinante
aventura. Brigitte Lucas e Agnès Teixidó
colaboram com o projecto de António Pessoa em
Barcelona e David Leonardis em Chicago.2004 é
um ano decisivo na carreira do artista na medida em
que por uma serie de merecidas e devidas circunstâncias
é catapultado para uma nova escala de valor e
reconhecimento ibérico e internacional. Talvez
para desanuviar do reboliço da grande metropolis,
António Pessoa em 2005 consegue uma autêntica
pechincha e compra uma casa-estudio em Santa Eulalia,
Ibiza, aquilo a que o artista não tardaria em
chamar Home Studio. Home Studio - António Pessoa
tem-se tornado quase numa lenda, como se de uma marca
se tratasse, mas essencialmente o retiro paradisiaco
de um homem que adora o mar, sol e natureza. Tirando
partido da situação, Pierre Fontanals,
Luis Santiago e o erudito Mr. Jacob Kotsky aproveitam
a ideia do Home Studio para criarem um espelho mediático
da verdadeira alma do artista. A partir de 2005 Antonio
Pessoa regressa a Portugal e Galiza com certa assiduidade,
no entanto sempre de maleta na mão e mais o seu
habitual ar de resignação de um homem
que no fundo o que mais lhe apraz e o faz realmente
feliz é sem tirar nem pôr o velho critério
de amigos amigos, negócios aparte, profissão
muito bem, mas paz e sossêgo. Enquanto Vicente
Fernández Lago e os seus colaboradores locais
preparam uma serie de exposições em Portugal
e Galiza,2007, Antonio Pessoa faz os últimos
preparativos para mais uma vez enfrentar o seu grande
amor e a sua grande dôr de cabeça. Nova
Iorque! Home Studio em Ibiza fica à espera do
regresso do dono da casa,s em dúvida uma promessa
de mais uma longa temporada de invenção,
trabalho e Obra no seguimento da sua nova linha pós-contemporânea,
The New Era. E ainda teimam alguns em dizer que já
está tudo inventado? Se muitos pensam, e a verdade
é que pensam, que grande parte de êxito
de António Pessoa foi tudo uma questão
de sorte, estão redondamente enganados. Talvez,
digamos, que muito possivelmente o artista tenha nascido
com o "coiso" virado para a lua, mas o mais
certo e justo é efectivamente concluir que Pessoa...António
parece ter sempre sabido fazer-se rodear e acompanhar
de colaboradores não só multifacetados
mas essencialmente inventivos. E um grande exemplo desta
teoria foi a posta en prática do Ciclo Zodiaco
em 2003, já o artista vivendo e trabalhando em
Barcelona. Tanto Luis Santiago como Pierre Fontanals
mostraram-se à altura da situação
tanto mais que a operação foi concluida
com extrema eficácia, organização
e actuação em termos de tempo real, aquilo
que no corrente anglicismo se conhece por "Timing".
O Ciclo Zodiaco, inventado por Gala e Salvador Dali
em Paris em plenos anos 30, baseava-se na idea de que
cada coleccionador de arte se comprometia a adquirir
um quadro do artista catalão uma vez por ano.
Isto somado por algumas dezenas de coleccionadores permitiu
a Gala e Dali usufruir de uma metódica situação
financeira que por assim dizer lhes permitia um nivel
de vida adequado às extravagâncias do casal
sem deixar obviamente de mencionar o facto que esta
tranquilidade económica fez com que o então
jovem surrealista pudesse de facto dedicar-se de corpo
e alma ao trabalho sem a necessidade de fazer qualquer
tipo de cedências. Dito e feito. Pierre Fontanals
conhecedor deste modus operandi, aproveitando eu desde
já a oportunidade de referir e salientar o facto
de que seus pais eram amigos intimos de Salvador Dali,
convence António Pessoa a fazer o mesmo, ou pelo
menos a editar uma nova versão da ideia.O sitio
e o momento eram mais que propícios ,isto é,
Barcelona 2003, precisamente numa altura em que a Obra
do artista luso começa a chegar e a suscitar
interesse não só na Europa como também
no outro lado do Atlântico, nomeadamente Chicago
e Indianopolis. Por conseguinte, mãos à
obra e a arregaçar as mangas. Pierre Fontanals,
António Pessoa e Luis Santiago, com a imprescindivel
participação de Vicente Fernández
Lago, começam a recompilar todos os clientes
da Obra do artista até à data. Em 2003,segundo
fontes fidedignas o resultado final ascendia a mais
de um milhar de regulares. O projecto e o programa do
Ciclo Zodiaco foi enviado imediatamente via postal ou
e-mail, obtendo num curto espaço de tempo uma
adesão satisfatoriamente surpreendente. Deste
modo António Pessoa libertava-se de compromissos
pouco aliciantes com galerias de arte, passando a vender
directamente aos coleccionadores e a organizar exposições
da sua Obra por sua própria conta e risco. A
sua situação financeira triplicava de
un dia para o outro, um fundo de maneio que o artista
e os seus colaboradores através de um excelente
trabalho de equipa não perderam tempo em investir,
viagens Europa e Estados Unidos, longas estadias em
luxuosos hoteis, web designers, e dinner-parties onde
era convidada a elite de Barcelona, potenciais novos
coleccionadores, jovens criticos de arte de toda a zona
Euro e como não podia deixar de ser directores
de galerias de arte, os quais mesmo não usufruindo
do privilegio de se encontrarem no top 10 dos VIP, dadas
as novas circunstâncias, também não
eram nada para se deitar fora. António Pessoa
,mais do que nunca antes, envolve-se num sistema de
trabalho, divulgação e comercialização
da Obra, totalmente independente do lento e entediante
esquema das galerias de arte. Muito mais que proveito
financeiro, estimulo laboral e satisfação
pessoal, o Ciclo Zodiaco traz à vida de António
Pessoa uma refrescante dose de adrenalina, inspiração,
tranquilidade e decididamente, motivação.
Hoje em dia e graças ao Ciclo Zodiaco, o artista
luso conta com um número, a bem dizer, inconfessável
de clientes regulares da sua Obra, que em última
análise lhe permite dar-se ao luxo de efectivamente
poder escolher as opções e situações
que mais lhe agradam e certamente as mais adequadas
ao seu temperamento, Obra e ambições .
Enquanto os lobos uivam e os cães que ladram...
não mordem, Mr. Jacob Kotsky, amigo pessoal de
Vicente Fernández Lago e amigo intimo e estreito
colaborador de António Pessoa desde finais dos
anos 90,a partir de 2003... começa a interessar-se
pela feitura da biografia do ainda jovem artista. Em
2003 escreve um sem número de artigos sobre a
vida e Obra do pintor, traduzidos do inglês ao
castelhano por Luis Santiago e editados na publicação
do catálogo La Época Romântica de
António Pessoa. No entanto só em 2006
Jacob Kotsky começa realmente a escrever a um
ritmo acelerado, os capitulos mais interessantes e relevantes
da vida e Obra do artista. Ainda que About Antonio Pessoa,
um livro que promete e compromete, por agora não
passe de uma infinidade de apontamentos dispersos e
anacronicamente fragmentado, tudo indica que venha a
ser muito brevemente uma realidade enciclopédica,
biográfica, mordaz e sobretudo profundamente
analítica. Através desta biografia o leitor
viaja no tempo até aos dias em que António
Pessoa vive entre Londres e Amsterdam, ganhando a vida
como pianista e já estabelecendo seriamente uma
forte relação com as artes plásticas.
O adolescente António Pessoa entra no mundo da
pintura com a naturalidade desconcertante daqueles a
quem o talento não lhes falta. Num caso muito
particular ,Amsterdam é uma cidade em plena ebulição
social, cultural e cosmopolita, o palco perfeito para
um jovem curioso e irrequieto. Enquanto Portugal, mergulhado
num conturbado periodo pós-revolução
e pós-guerra colonial teria sido o golpe de misericórdia
para um espirito sensivel e já habituado ao avanço
social do norte da Europa, para António Pessoa,
Holanda é um quarto de brinquedos, que é
como quem diz,um epicentro de actividades diversas como
música, teatro, arte... e sexo!, que o artista
aproveita e assimila ,desenvolvendo a sua intuição
emocional e criativa e projectando-a sem pedir licença
em todas as actividades em que participa, música,
teatro e finalmente a pintura. António Pessoa
vive seis anos em Amsterdam (ou Amsterdão!),
seis intensos e aventureiros anos trespassados aqui
e acolá por algumas timidas e curtas visitas
ao seu pais de origen, ainda muito a preto e branco
para o apetite cromático do jovem talento. Contudo
estes loucos e felizes tempos em terras flamengas, são
ciclicamente interrompidos pelas inúmeras visitas
que faz a Paris, Londres, Berlim e Copenhaga (Copenhagen!).António
Pessoa de "blue jeans" e "moon beams",
também visita Veneza, Grécia e por duas
vezes Marrocos. Umas vezes só, outras vezes com
amigos e por último com a sua companheira holandesa,
Yvonne Smit. Também é com Yvonne Smit
que António Pessoa passa os seus últimos
tempos na Holanda, vivendo sete meses em Groningen e
regressando a Amsterdam para uma derradeira despedida.
Estamos em meados dos anos 80, quando o artista com
vinte e poucos anos de idade regressa ao Porto em jeito
de visita de médico, para logo viajar para o
Algarve e sul de Espanha, onde durante alguns anos interrompe
drasticamente a sua actividade pictórica, vivendo
única e exclusivamente da música, tocando
o piano em hoteis e pubs desde Albufeira até
Málaga, desde Torremolinos até Ibiza.
É esta ilha balear que António Pessoa
visita pela primeira vez com apenas quinze anos de idade,
que muito anos depois vai ser o seu cantinho paradisiaco
e o seu Home Studio semi-tropical. Em 1998 o artista
luso viaja de automóvel até à sua
querida cidade holandesa para um reencontro depois de
tantos anos. No entanto só a partir do momento
em que se instala em Barcelona, António Pessoa
desloca-se a Amsterdam com frequência entrando
em contacto com velhos amigos e fazendo novas amizades,
desta vez quase todas elas de uma forma ou de outra
directamente envolvidas no mundo das artes plásticas.
Em última análise se Porto é a
sua cidade Natal, para António Pessoa, Amsterdam,
Nederland, ficou, é e sempre será decididamente
uma das suas cidades favoritas! António Pessoa
regressa ao Porto em finais dos anos 80 para se reencontrar
com um animado turbilhão de amigos e predestinado
a conhecer outros tantos. Comodamente instalado no seu
espaçoso T4, apetrechado com o excelente piano
de marca Pleyel ,uma prenda vitalicia da sua avó
paterna, encontra igualmente neste apartamento os metros
quadrados mais que imprescindiveis para retomar a actividade
plástica. Em contraste com La Vída Loca
do sul de Espanha, a cidade do Porto parece-lhe envolta
num manto de nostálgica melancolia. A sua adaptação
a este ambiente ao principio parece-lhe rigorosamente
impossivel, contudo os amigos de colégio e os
novos com quem vai estabelecer relação,
acabam por fazer peso na sua decisão de ficar
por algum tempo. Mãos ao trabalho e em escassos
meses o atelier da cidade Invicta já dá
sinais de intensa actividade e mais importante sinais
efectivamente palpáveis de prolífera produção
artística. António Pessoa imediatamente
despacha os seus piores trabalhos vendendo-os aos prestigiosos
leiloeiros de Mouzinho da Silveira e a um marchante
de Fonte da Moura que avidamente compra tudo o que o
artista lhe disponibiliza. No entanto as suas obras
primas vão sendo meticulosamente seleccionadas
e armazenadas para eventos de, digamos, mais prestigio.
António Pessoa conhece por fim Ana Ferreira Mendes,
então sub-directora de informação
da RTP Porto, com quem passa a viver em regime semi-
matrimonial. Ana Mendes interessa-se não só
pelo artista como pela sua arte. Prepara- lhe uma serie
de exposições, nomeadamente no casino
de Espinho, galeria das caves Sandman, casino da Póvoa
e finalmente a apoteose desse programa tendo lugar no
Hotel Le Meridien. Para grande surpresa do artista,
aliciante surpresa, imagino, metade das obras expostas
foram vendidas na noite da inauguração.
Ana Ferreira Mendes, devido à sua posição
no seio da RTP Porto,tinha feito questão de preparar
uma razoável cobertura mediática, convidando
os seus mais proeminentes amigos da alta esfera portuense;
e como amigos dos nossos amigos nossos amigos são,
a Vernissage acabou por ser um desfile de alta costura,
má lingua, beijinhos e palmadinhas no ombro,
um patatipatatá que se prolongou pela noite dentro,
mas que sem tirar nem pôr acabou por mostrar ao
jovem António Pessoa que nem tudo o que reluz
é ouro e que a sua Obra era altamente aplaudida
na sua cidade Natal. Mas apesar de tudo e do grande
êxito então, ainda não foi dessa
que o irreverente artista ganhou o gosto pelas ruidosas
vernissages. De facto os próximos anos vão
corroborar esta afirmação na medida exacta
em que António Pessoa muito raras são
as vezes em que efectivamente comparece às inaugurações,
quer porque se encontre num outro lugar e num outro
fuso horário, quer simplesmente porque tanto
quanto se sabe, sustenta a opinião de que a Obra
fala por si e a presença obrigatória e
protocolar de quem a deu à luz é justamente
uma situação supérflua e até
de inspiração exibicionista, logo perdoável.
Esta exposição não tendo sido necessariamente
o despoletar de um entusiasmo latente, terá sido
segundo a lei das probabilidades um binóculo
de alta precisão, mostrando uma perspectiva de
futuro artistico profissional, o qual como hoje sabemos
de facto acabou por se concretizar. E para, enfim, comprovar
a minha tese, verificamos que nos anos que se seguiriam,
artista António Pessoa gradualmente vai moldeando
a sua forma de viver no formato atípico que lhe
é peculiar. A sua carreira desenvolve-se com
soltura, sorte, organização mas também
inevitavelmente apoiada por uma razoável habilidade
de liderança, porém curiosamente contrastada
por um paralela postura de descompromisso, como que
salvaguardando uma integridade interior, uma forma de
viver e gestionar o espaço e o tempo, como só
os soberanos do Renascimento sabiam fazer. Apesar de
que a sua conversão a tripeiro de gema nunca
se tenha por assim dizer concretizado, António
Pessoa efectivamente e para sempre fica a dever à
cidade que o viu nascer,o grande arranque profissional,
bem como um status financeiro muitissimo acima do que
se poderia esperar para um jovem artista récem-chegado
ao mercado e ao mundo da Arte. E resumindo e concluindo,
a exposição no Hotel Le Meridien fica
como um marco histórico na vida e Obra de António
Pessoa, talvez a fronteira entre o irresponsável,
delicioso mundo de aventuras e o pensamento plástico
erudito, desenvolvimento técnico, relação
artista - temática, levado ao expoente máximo
da Arte por excelência! Arte, Antonio Pessoa -
Arte é um conceito absolutamente português,
visando uma nova aposta do artista em território
nacional, com uma linguagem e expressão adequadas
às nossas gentes, sem pretender entrar em pretenciosismos
de pseudo-erudição, mas pelo contrário
fazer chegar a arte e o artista preferivelmente a uma
vasta camada da população.Estamos aqui
com essa atitude apoiada pelo próprio artista,
o qual precisamente acredita que é tempo de mudar
um pouco as coisas ( para melhor!),no sentido de partilhar
uma forma de literatura visual tão bela como
as Belas Artes e quase tão bela como o belo país
que é Portugal. Comentava recentemente Pierre
Fontanals num artigo sobre António Pessoa para
o Xornal Galicia, o estigma de Portugal viver ainda
numa atmosfera terceiro mundista, referindo-se ao facto
de só abraçar os seus valores ou a titulo
póstumo ou quando depois de triunfarem no estrangeiro
e chegados a uma idade avançada receberem por
fim (que remédio) o reconhecimento atrasado do
país que os viu nascer. Pensem o que quiserem,
especialmente aqueles que pouco se aventuram no país
vizinho, seja em trabalho ou lazer, mas o certo é
que estas piadinhas subtis aos espanhois "les encanta!".
Pierre Fontanals, aliás um bom rapaz e grande
amigo nosso, pense ele o que quiser. Verdade seja dita
aqui estamos nós para pelo menos tentar virar
tudo ao contrário. António Pessoa é
nosso, pertence-nos e tudo o que estiver ao nosso alcance,
não pouparemos esforços em estabelecer
uma relação desde há dez longos
anos em Stand By. Por estas e por outras, Arte - António
Pessoa - Arte, tem como objectivo primordial aproximar
o artista de Portugal e vice-versa. Se para Vicente
Fernández Lago, administrador da Obra do artista
na Galiza e Portugal, tanto se lhe dá como se
lhe deu esta situação de "nem de
mãos dadas nem de costas viradas",para Luis
Santiago o caso muda de figura, já que independentemente
do facto de ser amigo intimo e colaborador de António
Pessoa, vive em Barcelona hà mais de trinta anos
e é com especial orgulho que testemunhou e testemunha
a crescente reputação e cotação
internacional do artista, concluindo sem o minimo vestigio
de mania das grandezas que António Pessoa é
um dos grandes embaixadores de Portugal no mundo da
arte contemporânea. António Pessoa, para
o qual esta triste "irrealidade!!" parece,
enfim, coisa de pouca monta, de certeza não perdendo
sequer uma hora de sono por esta causa sem causa, contenta-se
e até se poderia dizer que se dá por satisfeito
com a atenção global que o seu trabalho
vai despertando, dando-lhe até, a bem dizer,
um certo prazer em poder gozar de um quase total anonimato
sempre que visita Portugal. Para Don Vicente Fernández
Lago, as razões que vão alimentando esta
balsâmica indiferença são mais que
lógicas, pois , verdade seja dita e publicada,
realiza-se bem mais comercialmente com a Obra do artista
português em Espanha do que no Reino de Sócrates!
Carvalho Pinto de Sousa Land! Arte - António
Pessoa - Arte, é um projecto de tranquila comunicação,
no idioma de Camões, apenas um projecto, não
uma revolução. Os portuguêses decididamente
que o merecem, justamente agora em que tão na
moda está essa coisa dos Grandes Portuguêses.
E falando no Diabo, uma coisa do arco-da-velha, já
que Maria João Pires ficou nos últimos
dos cem e o António Oliveira...bem mais à
frente, e escandalizado ficou o Dr. Mário Soares
.E esta, hein? Cá por mim, com certa razão.
E a questão fica no ar!Será que os portuguêses
sentem desesperadamente a falta de Grandes Portuguêses
ou será que os Grandes Portuguêses sentem
a falta de Portugal? Arte - António Pessoa -
Arte tenta de alguma forma contribuir para a eliminação
deste lapso, ainda de todo não crónico
,porém roçando a tragico-comédia.
Luis Santiago(Barcelona),Rafael Medina (Lisboa-Madrid),
Veronica Amaral (Lisboa), Gabriela Hoffman (Estoril)
e eu própria, por agora constituimos o Todo desta
transpiração de pura carolice, ainda que
muito generosamente António Pessoa nos continue
decorando as paredes de nossas casas com o que ele melhor
sabe fazer. Pintura! E efectivamente é a pintura
de António Pessoa que tencionamos divulgar ao
público português um tanto ou quanto adormecido
com papas de sarrabulho e "Morangos com Açucar"!!!
A ideia de Luis Santiago deu-nos um entusiasmo que sem
sabermos nos faltava. Merecemos finalmente uma referência
cultural com pés e cabeça e decididamente
pernas para andar. Arte - António Pessoa - Arte,
acaba por reunir cinco pensamentos num só discernimento.
Uma equipa consciente de que algo de muito importante
no seio da arte contemporânea se está a
passar. Um algo muito artistico, genial e muito português,
o inventor de si mesmo e agora que já não
restam dúvidas, o inventor da Nova Era ! Para
todos os efeitos, pensem e digam o que disserem, a grande
verdade é que foi em Portugal e muito particularmente
na cidade do Porto que o jovem artista António
Pessoa marca o golo da tranquilidade e do dia para a
noite passa a regime de pintor profissional. Dito e
feito, tiro e queda. O artista conhece Alfredo Moreira
um art dealer atípico, já que de um verdadeiro
gentleman se trata. Durante oito produtivos anos estabelecem
uma relação de cumplicidade, amizade e
profissional, estimulando e desenvolvendo uma situação
de profuso dinamismo ,quer no âmbito da produtividade
artistica, quer no campo de estratégia comercial
propriamente dita. Alfredo Moreira sabe criar, desenvolver
e manter uma agenda de clientes por todo o país,
enquanto António Pessoa, desde muito cedo começando
a fazer justiça à sua reputação
de excelente profissional... entrega-se ao oficio das
artes plásticas com unhas e dentes, a um ritmo
de fabricação, dizem os entendidos, só
comparável a Pablo Picasso. E do dia para a noite,
o jovem pintor torna-se num campeão de vendas
o que leva Alfredo Moreira a não hesitar, passando
a comprar pontualmente toda a sua produção.
António Pessoa, independentemente do facto de
aos vinte e muitos anos gozar do privilégio de
uma situação financeira mais que invejável,
progride a passos largos tanto no dominio técnico
como nas possibilidades temáticas, de pura expressão
plástica, pensamento e inspiração.
Estes são os Anos Dourados em que o artista pela
primeira vez na vida tem a certeza de que só
há um caminho. Arte! Os seus tempos de nómada
caprichoso e Dolce Vita mediterrânica iam ficando
nas brumas da memória, para darem lugar a um
novo periodo, uma nova maturidade e um estilo de vida
radicalmente diferente. António Pessoa é
agora um homem financeiramente privilegiado e artisticamente
estimulado e realizado. Contudo, não por uma
questão de humildade gratuita mas sim ,melhor
dizendo, por pura consciência filosófica;
não se deixa ofuscar pelo brilho do sucesso nem
se deixa ensurdeceder pelo som estridente dos clarins
da vitória. E a prova disto é sobejamente
conhecida, já que ao longo dos anos que se seguem,
nem a fama nem a glória, vão exercer qualquer
efeito na sua personalidade e muito menos no seu comportamento,
social e profissional. António Pessoa nestes
primeiros anos da década de noventa compra um
novo apartamento em Vila Nova de Gaia, deduz-se que
como simples investimento, já que de seguida
muda-se para o Algarve. Durante cerca de dois anos,
vive, namora, trabalha e deleita-se no seu espaço
favorito de Portugal. Aqui, em Armação
de Pêra, produz as suas primeiras telas panorâmicas
de grande dimensão e de temática essencialmente
histórica, exaltando o passado glorioso de Portugal,
bem como alguns dramas que a todos nos dizem respeito.
Desta época pode-se fazer especial alusão
e referência à Conquista de Lisboa, Aljubarrota
e 1755. Alfredo Moreira não se deixando surpreender,
já que por então menos do artista sabe
que não pode esperar, não deixa contudo
de sentir uma crescente admiração por
António Pessoa, pela sua prolífera imaginação
e muito particularmente pela sua quase sobre humana
capacidade laboral. Os ares e a vida do Algarve, como
sempre aliás, são de um modo geral, benéficos
para o artista, contribuindo enormemente para um perfeito
estado anímico como também para uma excelente
condição fisica. A sua relação
com Armanda Lamy, algarvia de gema e tradição,
dá-lhe o equilibrio necessário para que
se sinta no seu absoluto elemento. Viajam à noite
por todo o Algarve e ao fim de semana são frequentes
umas escapadelas a Sevilla, Vila Nova de mil Fontes,
Évora e até Lisboa. No entanto, apesar
do panorama idilico e ideal e como não há
Bela sem senão, a relação entre
os dois começa a deteriorar-se à medida
que Armanda Lamy parece dar sinais de pretender muitissimo
mais do que a Arte de Bem Namoriscar em Toda a Sela!
António Pessoa, já pai de dois filhos
e divorciado, não se sente à altura de
semelhante compromisso. Ele e Armanda Lamy já
levam um ano juntos e para o artista, tal como tudo
o que é bom acaba, parece-lhe que a situação
chegou a um grau de tensão insustentável.
Começam as suas viajens cada vez mais frequentes
ao Porto até ao dia em que decide ficar. Infeliz
com a forma como tudo terminou, o artista entrega-se
freneticamente ao trabalho, criando nesse ano em que
de regresso volta a viver na cidade Invicta, um impressionante
desfile de óleos sobre tela, acrilicos e aguarelas.
Porém o Porto irremediavelmente entristece-o,
provoca-lhe essa indomável e inexplicável
sensação de nostalgia e penumbra emocional.
De passagem por Vila Nova de Cerveira com o seu filho
que aí estudava, resolve dar uma vista de olhos
mais além do rio Minho. Galiza. Vigo!!! E aqui,
em meados dos anos noventa, mais precisamente em 1996,
dá-se o inicio da sua mundialmente conhecida
Época Romântica e igualmente o inicio propriamente
dito da sua brilhante carreira no país vizinho.
Contudo, de minha justiça digo eu, não
convém nem podemos esquecer de que foi no Porto,
Portugal, onde António Pessoa, pelas mãos
de Alfredo Moreira, obteve a sua primeira grande oportunidade,
a qual, e a César o que é de César,
o artista soube aproveitar com o brio, entusiasmo, honestidade
e capacidade de trabalho que são, por assim dizer,
as caracteristicas da sua marca! António Pessoa
consegue um mega espaço não muito longe
de Vila Nova de Cerveira, rodeado de bosques e dos bons
ares da natureza com uma espectacular vista e bons vizinhos,
rústicos mas de boa fé. As suas visitas
a Cerveira ao principio assiduas tornam-se cada vez
menos frequentes. De algum modo a ideia que tinha da
terra de facto aos seus olhos acabou por não
corresponder às expectativas. Alguns meses mais
tarde António Pessoa descobre aquele que vai
ser o estudio Atlantis, justamente em frente à
praia do Samil, Vigo. Este vai ser durante cinco maravilhosos
anos o seu atelier, casa e paraíso celestial.
Vigo oferece-lhe aquilo que o Porto nunca teve, a capacidade
de conceder-lhe"La Fiesta de la Vída",
alegria, noites escaldantes,"La Movída"
espanhola e amigos para toda a vida. Neste ambiente,
acaba por reencontrar-se e neste ambiente se inspira
para concretizar efectivamente a sua mais intensa e
frenética epopeia plástica. A Época
Romântica! Ainda que a principio dilacerado pelo
estado obsoleto em que a arte galega se tinha deixado
adormecer, António Pessoa de alguma forma sabe
superar esta realidade concebendo novas e mais contemporâneas
versões imprimindo-lhes o exotismo necessário
e a sexualidade ainda que sabiamente camuflada, adicionando
os seus próprios ingredientes e especiarias através
de uma culinária plástica estranhamente
híbrida e ao mesmo tempo concentrada num modelo
de linguagem e expressão artistica globalmente
uniforme. Parece-me oportuno mencionar que António
Pessoa, sempre fazendo justiça à sua reputação
e cada vez mais igual a si mesmo, mesmo dando-se o indiscutivel
caso de não ser de seu estilo fazer qualquer
tipo de cedências, é e sempre tem sido
sintoma da sua natureza como artista e comunicador,
ir ao encontro do público utilizando uma linguagem
plástica compreensivel. António Pessoa,
um pouco em jeito de graça, conta que certa vez
o Prof. Eduardo Calvet de Magalhães, fundador
da escola e galeria Árvore do Porto ,lhe disse
directamente"você ,António Pessoa,
é um pintor maldito, sabe o que as pessoas gostam
e dá-lhes!" Há de facto uma mais
que certa verdade nesta afirmação, seja
com retoque ou com mais ou menos subtileza, o certo
é que o artista sempre aplaudido por muitos e
criticado por poucos, toma desde o inicio da sua carreira
esta posição tipicamente Hollywoodesca,
não tanto por calculismo adquirido mas sim de
facto por natural genética tendência levando-o
a absorver e logo e por conseguinte a espelhar as sugestões
culturais, sociais e ambientais que mais lhe estão
próximas. De bom presságio, esta caracteristica
da sua natureza, vistas bem as coisas, de facto tem-lhe
trazido mais beneficios que desvantagens. António
Pessoa,qual Camaleão,ainda que sempre patente
o selo do seu estilo de pose, jeito e pincelada, muda
de temática como quem muda de camisa, esgotando
todas as possibilidades e mais importante não
permitindo que o tédio de maneira nenhuma invada
o espectador, como um longo desfile de obviedades de
nos fazer dormir e bocejar por mais. E é com
estas e com outras que a partir de 1996,um artista luso
entra em Espanha e sem muito hesitar, começa
a deitar cartas na mesa. Conhece o galerista Carlos
Alvarez, quem se apaixona imediatamente pela sua pintura,
Alpide Villa Rodriguez, um dos maiores coleccionadores
de arte em toda a Galiza, Faustino Moiños ,um
jovem mecenas à maneira e por então dono
do charmoso pub-galeria Pianíssimo...onde António
Pessoa para além de expôr e bem vender
as suas obras, encantava a noite viguesa com a sua soltura
e sentimento musical no piano de cauda que hoje tem
a sua assinatura... ...e finalmente, aquele que viria
a ser o administrador da obra de António Pessoa
em Portugal e norte de Espanha, Vicente Fernández
Lago. Em 1998 Fernández Lago patrocina um dos
mais importantes, controversos, originais e eruditos
catálogos do artista português. The Black
and White album ou El album Blanco y Negro. Uma primorosa
selecção de cerca de 300 desenhos, grafite
e carvão sobre papel, nos quais o artista decididamente
revela ao público as suas capacidades técnicas
e de pura expressão visual, plus um calibre de
qualidade só testemunhado nos esboços
de um Leonardo Da Vinci, Salvador Dali, Pablo Picasso,
Matisse e Rembrant. The Black and White album despertando
na altura um considerável interesse, acaba por
obter ao longo dos últimos anos o aplauso entendido
da nova geração de criticos de arte, nomeadamente
Marc Gilot, Anneke Frenken, Carol Damisch, Arturo Bermejo,
Isabel Lostal, Ariana Martínez, Ulrike van Brug,
Arthur Zimmerman, Carmen Olaya, etc... Escusado será
mencionar Jacob Kotsky, já que para além
de amigo pessoal do artista, é sem sombra de
dúvida o maior entendido em tudo o que diz respeito
a toda uma ampla dimensão envolvendo o personagem,
vida e Obra de António Pessoa. Inocentemente,
em 1998, o artista português acabava de provar
que na sua Obra não há truques nem camuflagens
tecnológicas, não por sistema e decididamente
jamais por necessidade ou falta de técnica e
talento. Com o album Blanco y Negro, António
Pessoa em terras de Espanha colhe um eco muito mais
além das suas próprias expectativas, afirmando-se
como "Maestro", como um dos últimos
dinossauros do prestigioso conceito da velha e tradicional
Escola das Belas Artes! No entanto e apesar de que as
criticas ao The Black and White album não pudessem
ter sido mais favoráveis, em termos de vendas
reais não foi grande coisa. Os coleccionadores
continuavam a preferir os óleos sobre tela, seja
por snobismo, por tabu ou por puro investimento. E uma
vez mais, neste campo de, digamos, matéria prima,
António Pessoa estava no seu elemento, domínio
e território. Aproveitando as lendas e mitos
celtico-galaicos, declara uma feroz guerra às
telas em branco plasmando contos e histórias
onde "meigas", corcundas, gaiteiros, duendes,
arlequins, frades e monjas, fantasmas, anjos e arcanjos
coexistem num todo alegórico e cinemático.
Ao emaranhar assim o verossimilhante e o fantástico,
António Pessoa vence, conquista, convence e encanta,
pintando e dizendo que as fantasias estão irremediavelmente
entranhadas no mundo factual e é absolutamente
inútil e contraproducente separá-los!
Agora sim, em óleo sobre tela, António
Pessoa já não necessita de mais argumentos
e Galiza recebe-o de braços abertos, em vendas,
status social, prestigio e devoção. António
Pessoa em 2001 e já casado com Irene Luz Iglesias
Dona, já é cidadão espanhol, artista
português e património galego! António
Pessoa, hoje é mais que um artista, mais que
um comunicador do universo plástico contemporâneo,
mais que um modelo que muitos colegas de oficio e profissão
tentam seguir. António Pessoa hoje é uma
Marca, uma referência exacta dentro do núcleo
artistico total. Um jovem artista prematuramente bem
instalado no projecto de vida, familia e profissão
que ele e os seus colaboradores souberam inteligentemente
conceber, pacientemente estruturar e agora, em jeito
de manutenção vão seguindo o mesmo
critério de dinamismo, sobriedade e equilibrio,
elementos os quais justamente se adaptam como uma luva
à personalidade contemplativa do artista. Entre
a figura pública e o homem, existe a mesma diferença
que entre o dia e a noite. É muito frequente
ainda que muitos se enganem na hora de avaliar António
Pessoa, não na sua indiscutivel qualidade artistica,
mas sim na sua postura pessoal perante a vida, perante
si mesmo, perante os que o rodeiam e num caso muito
particular e crucial, perante o mercado da arte e todos
os que nele estão directa ou indirectamente envolvidos.
Frequentemente criticado por ser arrogante, altivo e
até déspota, apenas felizmente, por aqueles
que não o conhecem, para não falar dos
invejositos de meia tigela que da má lingua se
viciam porque melhor não sabem fazer nem dizer;
António Pessoa sem grande esforço, diga-se
de passagem, faz ouvidos de mouco, já que tudo
joga a seu favor para dar-se ao luxo de não fazer
caso a escupidelas sem saliva e mordidelas sem caninos.
Nada melhor que para um pintor do seu calibre para pura
e simplesmente estar-se nas tintas...e mesmo que não
estivesse, verdade seja dita, também não
teria tempo para isso! Claro que me refiro essencialmente
a galerias de arte da segunda divisão que pensam
que são grande coisa, aparentando aquela altivez
saloia dos pobres pretensiosos a Jet Set com patéticos
ares de snobismo de curso por correspondência,
uma formação artistica empiricamente insuficiente
e pior de tudo uma perspectiva do mercado de arte global
absolutamente obsoleta e desqualificada. Uma vez mais,
perante esta hilariante realidade, António Pessoa
desconsoladamente não tem outro remédio
que recorrer (metaforicamente falando) a anestesia local!
Desliga, esquece e ponto final. Hoje, como se não
bastasse o Ciclo Zodiaco para lhe tirar toda a produção
actual das mãos e garantir-lhe um nivel de vida
muito mais além das suas necessidades básicas,
por assim dizer... Hoje, como se não bastasse
o infinito leque de luxuosos hoteis prontamente disponiveis
para expõr a sua Obra... Hoje, artista António
Pessoa, é um profissional que sabe com milimétrica
precisão aquilo que quer, como, quando e onde...
e em que bases de acordo e modelo de trabalho poderá
eventualmente colaborar com as Top galerias de arte.
Isto nada tem a vêr com arrogância, mas
sim, aliás como qualquer cidadão com dois
dedos de testa pode facilmente concluir, com um elevado
grau de exigência, um notável calibre de
honestidade, postura, atitude e principalmente um imaculado
sentido de profissionalismo! É este António
Pessoa um corajoso homem que sobreviveu com notável
dignidade e dedicação, a todos estes anos
de boas e más experiências no mercado da
arte contemporânea, absorvendo e assimilando conhecimentos,
ensinamentos, calo e maturidade. Ao que tudo indica
o artista e comunicador ,Hoje... prepara-se tranquilamente
para o Amanhã, na certeza porém de que
na pior das hipóteses tudo irá ser estruturado
da única forma possivel. À sua maneira!
Por conseguinte, o inventor da New Era, ainda vai dar
muito mais que falar, mas decididamente à sua
maneira e tudo o que não vá de encontro
a este nobre conceito é o mesmo que dizer que
nunca aconteceu nem vai ter lugar. António Pessoa
deste modo e desta maneira, acaba não só
por estar no mundo da arte com nobreza, prestigio, dignidade
e profissionalismo, como também por enobrecer,
prestigiar e engrandecer a classe dos jovens artistas
plásticos. Efectivamente desde há uns
tempos até à data , António Pessoa
é sistematicamente consultado por colegas artistas
de todos os cinco continentes, pedindo-lhe conselhos
na esperança de obterem respostas a infindáveis
e tumultuosas dúvidas, na esperança de
sentirem nas mãos o molho de chaves capaz de
abrir algumas portas deste mundo elitista e impiedoso
que é o mercado de arte hoje em dia. António
Pessoa, um homem com o mundo nas mãos, não
se esforça por aparentar humildade, pois a sua
é legitima, natural e latente. Um artista português
que embora tranquilamente soberano, não deixa
para amanhã o que pode fazer hoje. Um homem sobriamente
tranquilo, porém decididamente um homem de acção.
Sem dúvida as qualidades flagrantes que o têm
transportado sem especial esforço até
ao lugar ao sol onde hoje se encontra, não menosprezando
a sua inegável genialidade ,esse talento exuberante
e abundante, o qual aliado a uma estranha e rara capacidade
laboral, fazem a quimica, o Todo, o fenómeno,
a marca António Pessoa. Amanhã, que é
quando o hoje deixa de ser hoje para ser ontem,o artista
português uma vez mais viaja a Nova Iorque, Chicago,
Los Angeles e San Francisco para reestabelecer o ideia
do seu Projecto.Escusado será dizer que não
serão necessários grandes preâmbulos
de retórica, nem exaustivas sessões de
negociações bilaterais, como quem desesperada
e obstinadamente busca soluções mediocres
"alternativas". Efectivamente, António
Pessoa desde há muito tempo que leva "take
it or leave it" escrito no brilho do seu olhar,
na imobilidade desconcertante que só uma profunda
segurança e tranquilidade permitem. E como se
tudo isto não fosse mais do que suficiente, a
New Era do artista luso atingiu o centro do alvo, apanhando
o mundo intelectual de surpresa e colocando o conceito
de arte contemporânea numa situação
embaraçosamente dificil. António Pessoa,
sem tirar nem pôr, sem pré-avisos, enfadonhos
preliminares, voluminosas teses nem conferências
de imprensa, deu o seu vanguardiata conceito denominado
Contemporary Plus como dado adquirido, pintado e assinado.
Dito e feito, sempre invariavelmente à sua maneira!
E à sua maneira será! Contemporary Plus,
fez com que a muitos se lhes caissem os dentes, ainda
não de todo recuperados do impacto da New Era
- António Pessoa, o conceito aparentemente inocente
e aparentemente simplesmente estético de Contemporary
Plus, vai tomando gradualmente uma função
clinicamente devastadora, de facto provocando um efeito
que vai fazendo com que a noção de arte
contemporânea seja uma corrente digna de museu,
dignamente "démodé",elegantemente
ultrapassada e historicamente arquivada! E a questão
que fica por agora suavemente pairando no ar, é:
Que mais cartas-surpresa terá António
Pessoa escondidas na manga? Um Ás de Ouros? Casa
da Calçada . Relais & Châteaux AMARANTE
~~ PORTUGAL tel . 00351 . 255 410 830 ffafonso@casadacalcada.com
www.casadacalcada.com Exposição de pintura
de António Pessoa, na Casa da Calçada
. Relais& Châteaux, inauguração
dia 12 de Maio 2007 pelas 19:00 e patente ao público
até 12 de Agosto,2007. Retrospectiva da época
Romântica, 1997- 2002, realizada em Vigo, Galiza
e uma das mais importantes colecções do
artista. Por muito estranho e até exaustivo que
possa eventualmente dar a entender, nunca é demasiado
desenvolver novas abordagens em jeito de mera análise
e se assim o desejamos até de contínua
investigação, sobre a mundialmente badalada
Época Romântica de António Pessoa,
que como é do conhecimento geral consta de um
espaço de tempo entre 1997 e 2002. Informa-se
repetidamente porque nunca é demais salientar,
que estes cinco anos são de especial relevância
primordialmente pelo calibre de super-produção
a qual efectivamente a distingue e a destaca de tudo
quanto foi feito em tão reduzido espaço
de tempo por artistas de todas as nacionalidades nos
últimos cem anos, com excepção
de uns poucos, designadamente Pablo Picasso, Salvador
Dali, Jackson Pollock, Diego Rivera e talvez Fernando
Botero. Infelizmente, apesar do grande desenvolvimento
técnico, estético e até filosófico-criativo
que António Pessoa tem de facto demonstrado desde
2003 até aos dias de hoje ,é bastante
improvável que o artista português volte
a repetir semelhante proeza, pelo menos em termos quantitativos.
De facto a Época Romântica de António
Pessoa vai-se tornando mais famosa e mais consagrada
justamente em proporção aos anos que nos
separam do fim da mesma, por variadissimas razões
mas essencialmente pela quase sobre-humana abundância
de unidades pictóricas, sejam desenhos, aguarelas,
acrílicos sobre papel, collages, toda uma infindável
gama de técnicas mistas e claro, a grande obra
por excelência, óleos sobre tela, centenas
dos quais de grandes dimensões. É de sublinhar
a satisfação que todos partilhamos com
esta mostra de pintura de excelente qualidade, particularmente
tratando-se de uma das mais belas cidades portuguêsas
e sem minimizar a felicidade do artista em saber a sua
obra uma vez mais disponivel para o público nacional.
O Pincel ataca de novo! The Brush strikes again (O Pincel
ataca de novo ) é o retomar da colecção
Art on White iniciada em 2006 e agora surgindo numa
refrescante e nova versão de 2007,uma premonição
de futuros trabalhos do artista, naturalmente uns mais
felizes do que outros como não podia deixar de
ser. Longe ainda está o separar o trigo do joio
para aquilo que inevitavelmente um dia será o
Best Of 2007. A colecção Art on White
2006 de António Pessoa teve o aplauso do público,
dos criticos de arte e de alguns galeristas os quais
um a um foram considerando Art on White como uma das
melhores séries deste artista plástico
desde o celebérrimo Black and White album 1997-1998.
Talvez a mais relevante diferença é o
facto de António Pessoa hoje em dia parecer ter-se
livrado de algumas demasiado obvias influências
que dez anos atrás o bombardeavam incessantemente
no exercicio plástico e até no pensamento.
Talvez o interregno de 2005 tenha sido afinal de contas
o tempo de reflexão necessário a um corte
drástico com os fantasmas do passado, ou talvez
simplesmente o nascimento de uma nova filosofia de vida
dando lugar a uma nova perspectiva plástica e
consequentemente a uma nova linha estética. António
Pessoa em 2006 surpreendendo todos e mais ninguém
surge mais além do conceito average contemporâneo
com The NEW ERA . A chuva de boas e más criticas
não se fez esperar. A predominância de
um positivismo geral falou por si mesma e The NEW ERA
foi recebida com entusiasmo e alegria, sem grande espalhafato
nem levantar muita polémica. Para polémico
já temos o artista, bem mais controverso que
as suas próprias criações artisticas.
Este é o boca-a-boca e é realmente verdade.
A minha humilde opinião como critico e professor
de pintura e História de Arte, pode até
eventualmente ser talvez a mais objectiva, dado que
a minha relação com o artista é
coisa recente, ao contrário de Luis Santiago,
Vicente Fernández Lago, Pierre Fontanals, Nancy
Igartiburu e naturalmente Jacob Kotsky, que são
colaboradores e amigos intimos de António Pessoa
,já de longa data. A minha análise, a
qual confere-me o direito de me manifestar segundo o
modelo em vigor de livre expressão, leva-me a
concluir uma infindável teia de contradições
tanto na vida como na obra do artista. E a conclusão
à qual eu chego é que com António
Pessoa há que forçosamente separar o trigo
do joio e o homem do artista. De uma modo geral considero
que a obra de Pessoa é excelente, não
pretendendo com isto dizer que penso que tudo o que
ele dá à luz é bom. Estou plenamente
convencido de que o próprio artista tem nitida
consciência deste eventual desnivel de qualidade,
coisa que segundo me consta não parece consistir
numa preocupação para o próprio
mas sim uma realidade inevitável a uma sempre
contínua mega-produção, o que é
o caso. A extenuante salgalhada de influências
que marcam a Época Romântica de António
Pessoa, 1997 - 2002,onde modelos como Francis Bacon,
Georg Baselitz, Pablo Picasso, Henry Matisse, Paul Cadmus,
Alberto Giacometti, Vieira da Silva, Frank Stella, Miró,
Andy Warhol e até mesmo Salvador Dali... parecem
ter sido arrumadas, empacotadas e enviadas por correio
para o reino do esquecimento. António Pessoa,
milagrosamente surge com The NEW ERA em 2006 mais do
que nunca igual a si próprio. Obras como August
Storm, The Brain e Contemporary Plus, entre outras,
marcam a diferença, acentuam um certo minimalismo
e estudada simplicidade conceptual, deixando claro um
apuradissimo critério de qualidade e ao mesmo
tempo conservando a riqueza das cores e das formas da
mais bela tradição das Belas Artes. World
Art Gallery António Pessoa. The NEW ERA World
Art Gallery . António Pessoa foca especialmente
a sua mais recente e mais contemporânea linha
de trabalho. A Nova Era, "The NEW ERA ", iniciada
na Primavera de 2006 e recebendo posteriormente as melhores
criticas e um interesse geral por parte do grande público.
A Nova Era de António Pessoa segundo a critica
especializada, foi muito mais além das tão
repetitivas últimas tendências da arte
contemporânea, o que aliás não é
de estranhar tendo em conta o elevado calibre técnico
e cultural do artista já para não adiantar
longos discursos sobre a sua sobejamente conhecida e
admirada experiência e veterania em Atelier. Um
dos principais objectivos de World Art Gallery. António
Pessoa é de facto dar a conhecer ao mundo não
só a obra do artista português, mas também
fornecer uma nova imagem de Portugal num contexto internacional
e muito particularmente visando uma elite erudita e
culta, sensível não só às
artes plásticas como a um todo global no qual
sem dúvida Portugal deve ter cada vez mais um
papel de destaque e prestigio. Esta tem sido a persistente
visão de António Pessoa aplicada a uma
energia e sentido de trabalho de equipa cujos resultados
já se podem visualizar, sentir e assimilar. World
Art Gallery não é meramente um espaço
online mas sim um projecto que engloba uma quantidade
de informação ultrapassando o dominio
das artes plásticas e açambarcando um
modelo português, ainda que protagonizado por
António Pessoa, acaba por lançar a curto,
médio e longo prazo, uma certa imagem de Portugal
e seguramente uma boa imagem aos olhos do mundo erudito.
Este tem e continua a ser o nosso modelo de trabalho,
realizado com o genuino prazer de todos os que se envolvem
num plano de acção segundo convicções
genuinas, as quais ao fim e ao cabo têem sido
o nosso denominador comum. Só o futuro o dirá,
porém parece-me oportuno adiantar que esta viril
personalidade chamada António Pessoa, honra a
cada momento a memória dos Grandes Portugueses
de todos os tempos. Envolvido num arrojado projecto
internacional, Worldwide, o artista português
conta de antemão com o apoio de colaboradores
em vários campos de acção, intervenção
e divulgação, de diversas regiões
da Europa e Estados Unidos. Este multicultural aspecto
desta grande equipa internacional faz o fascinio e o
bonito deste projecto, o qual para além da promoção
da obra de Pessoa, acaba por defender valores que tanta
falta nos fazem, num mundo cada vez mais individualista,
robotizado e materialista. Tal como a obra e todos os
sonhos deste artista, World Art Gallery não se
limita a falar insipidamente de cores e formas, mas
sim salientar a verdadeira mensagem de cada quadro,
num esforço continuo e cheio de prazer e orgulho
em manifestar uma postura sublimemente positiva e extremamente
humana que afinal de contas é o selo inconfundivel
de um grande português no mundo das artes e da
comunicação global chamado António
Pessoa. The Patron António Pessoa, 2006 Após
quase um ano de interregno,2005,em que o artista viaja
permanentemente tanto por questões profissionais
como por mero lazer, talvez por um lado necessitando
de um longo periodo de reflexão e de uma nova
contemplação do mundo e por outro lado
satisfazendo a urgência de estabelecer novos contactos
; surge em 2006 com um novo look na sua arte visual,
surpreendendo tudo e todos e muito provável até
que surpreendendo-se a si mesmo. Utilizando um nova
fusão de técnicas mistas, desde collage,
digital work, fotografia, aguarela e acrilicos, plus
uma combinação de cores e formas cujo
resultado é quase sempre um impacto visual marcando
súbita presença, não contundente
mas sim meramente impositivo, ainda que predominantemente
cativante e motivador. "The Patron", O Mecenas,
é talvez das obras mais atipicas da expressão
da New Era, deixando ainda transparecer vestígios
da Época Romântica, e até do periodo
de Barcelona e Chicago. Apesar de feições
contemporâneas, "The Patron" sugere
um certo ar de neo-cubismo, ou até um pouco ao
estilo de Georges Braque, um toque de revivalismo em
plena Nova Era muito ao jeito das obras dos tempos de
Vigo. Um quadro repleto de propositado mistério,
muito no estilo desconcertante do António Pessoa
dos velhos tempos, adivinha-se que se trata de um auto-retrato
não só pelas nitidas parecenças
do olhar como pela pose que mal se vislumbra mas que
se sente. Pouco mais posso adiantar sobre "The
Patron" sem a sempre conveniente informação
fidedigna de Jacob Kotsky, a não ser a minha
leitura mais ou menos objectiva, pouco ou muito subjectiva.
Só realmente o tempo e o distanciamento necessário
e imprescindivel poderão fazer uma mais justa
avaliação e análise deste quadro,como
aliás costuma ser a regra geral, ainda para mais
sendo "The Patron" uma obra fora do contexto
visual da New Era de António Pessoa,2006. Matters
of the Flesh António Pessoa . 2002 Esta técnica
mista sobre tela , "Matters of the Flesh",não
sendo certamente dos melhores trabalhos do artista realizados
em 2002,é contudo bastante representativo tanto
das suas inquietações de nivel pessoal
e privado como também das mudanças de
critério plástico a que se propunha mais
uma vez. Segundo Jacob Kotsky e mesmo Pierre Fontanals,
existe um certo mistério envolvendo o verdadeiro
significado desta obra. A relação de António
Pessoa com a sua esposa Irene Luz Dona, atingia em 2002
o seu estado mais caótico onde , segundo parece
, as ambivalências eram o pão nosso de
cada dia. Irene mostrava-se cada vez mais uma mulher
possessiva ao ponto de uma obsessão crónica
e António Pessoa por então já detentor
de uma das maiores colecções dos nossos
tempos, começava a dar visiveis sinais de saturação
de Vigo e de todo um provincianismo artistico que em
vez da graça que lhe dava anos antes, agora parecia
provocar-lhe uma angustiante fobia. Segundo algumas
insinuações de Jacob Kotsky, este "Matters
of the Flesh" pode muito possivelmente tratar-se
nada mais nada menos do que do retrato de Irene Luz
Dona, a mulher que nessa altura submetia o artista a
um estranho jogo de pressões que afinal de contas
acabou por fazer com que o matrimónio rompesse
pelas costuras. 2002,acaba por ser o ano decididamente
menos produtivo dos cinco anos da Época Romântica
de Pessoa. Ele e Irene Luz Dona agora passam grande
parte do tempo viajando por toda a Espanha, Barcelona,
Sitges, Ibiza, Castellón e Sevilla, vivendo em
hoteis dispendiosos e já partilhando um desequilibrio
emocional o qual muito mais cedo do que se esperava
provocou a separação entre os dois amantes
e aventureiros. Ao contrário do que muitos pensam,
a Época Romântica de António Pessoa
não podia ter finalizado de pior maneira, deixando
atrás de si um rastro de frustração,
infelicidade e impotência. No entanto, também
ia deixar um rastro devastadoramente positivo na forma
de uma das maiores e monumentais colecções
de pintura dos nossos dias! Falling in Love António
Pessoa. 2001 No ano de 2001, António Pessoa encontra-se
oficialmente casado pela segunda vez na sua vida, desta
vez com uma mulher espanhola, natural de Vigo, Irene
Luz Iglesias Dona. A sua vida, o seu trabalho e o seu
estado emocional, criativo e animico mudam gradualmente
à medida que se estabelece aquela que seria uma
senão a mais efervescente relação
da vida do pintor português. Irene Luz Dona mostra-se
à altura da situação, pelo menos
nos primeiros tempos, revelando-se uma musa em toda
a acepção da palavra e uma companheira
de armas e de Atelier justo à medida de uma personalidade
individualista e sui generis como a do artista, de inteligência
aguçada e com um sentido particularmente apurado
para as artes visuais. Sobre esta cinemática,
maravilhosa e ao mesmo tempo turbulenta relação
haveria muito que contar, em todo o caso é de
sublinhar a derradeira contribuição que
esta mulher espanhola deu para o fim da tão badalada
Época Romântica de António Pessoa,
Vigo,1997-2002. Este quadro "Falling in Love"
parece-me ser mais que significativo, simbólico,
na medida em que os dois se apaixonam loucamente partilhando
três anos de aventuras, arte plásticas,
viagens, uma especie de matrimónio predestinado
a um desfilar de acontecimentos os quais iam mudar radicalmente
a vida do artista, como aliás se veio a verificar.
Efectivamente a Época Romântica termina
no preciso momento em que os dois se separam em 2002.
António Pessoa passa três meses no Algarve,
um periodo de reflexão e de decisivas tomadas
de decisões que iriam culminar com a sua definitiva
retirada para a capital catalana, Barcelona. Ladies
Night António Pessoa - 2000 Uma vez mais, António
Pessoa resolve dar um ar da sua graça e muito
em particular das loucas noites de Vigo. A Época
Romântica reflecte a vivência urbana de
uma cidade em pleno apogeu da "Movida" espanhola
onde tabus e preconceitos são minimizados por
uma nova mentalidade da juventude de Espanha. Escusado
será dizer que a Época Romântica
não deve o nome que tem por simple acaso. Efectivamente
António Pessoa durante estes cinco anos pinta
durante as tardes e à noite perde-se no turbilhão
de boémia, bares e discotecas e inserido num
amplo circulo de amigos dentro do qual a bissexualidade
é encarada como a coisa mais natural do mundo.
Pode-se afirmar que António Pessoa entre 1997
e 2002, pinta de Vigo para o Mundo, emocionalmente inspirado
e estimulado por uma cidade que nunca dorme e onde o
artista facilmente encontra a melhor alternativa à
cidade do Porto já por então começando
a dar tristes sinais de apatia, facto que infelizmente
se foi agravando até aos dias de hoje. Neste
esplêndido Ladies Night, acrilico sobre tela de
1999,António Pessoa projecta uma visão
moderada de puro lesbianismo. Uma obra que decididamente
não pretende provocar mas sim atenuar e muito
particularmente defender o direito à diferença.
António Pessoa prova que é possivel abordar
todos os temas sem cair na vulgaridade obscena, pelo
contrário elevar esta e cada temática
a um expoente de máximo requinte, elegância
e estética graciosa. É com esta atitude
blasé e jovial, que afinal de contas toda a feliz
Época Romântica se desenvolve, pelas mãos
e Know How de um artista absolutamente afinado na sua
conduta de comunicação através
da arte e muito particularmente com a sempre presente
noção de servir o público sem o
ferir! In the Night António Pessoa - 1999 Em
plena Época Romântica, já com um
nome implantado na Galiza e com um mercado de braços
abertos para a sua obra na vizinha Espanha, António
Pessoa em 1999,produzindo mais do que nunca em toda
a sua vida, sente que pode dar-se ao luxo de regressar
a um tipo de expressão plástica bastante
mais Pop Art e eventualmente optando por padrões
de certo minimalismo e construtivismo conceptual, tudo
isto naturalmente fora do âmbito do conceito visual
plástico do público galego. É por
esta altura que Prof. Eduardo Calvet de Magalhães,
um dos fundadores da Árvore na cidade do Porto,
começa a interessar-se profundamente tanto pela
obra do artista como pelo original e irreverente personagem.
Igualmente em 1999,Vicente Fernández Lago dedica
toda a sua galeria de arte de dois andares na cidade
de Vigo única e exclusivamente à pintura
de Pessoa. Também em meados de 1999, Jacob Kotsky
dá inicio aos seus apontamentos biográficos
sobre a vida e obra do artista. Kotsky, por motivos
familiares, designadamente a morte de sua esposa num
violento acidente de viação em Los Angeles
e da tentativa de suicidio de seu filho, resolve retirar-se
para as ilhas Canarias onde ainda reside actualmente.
Também no ano de 1999, depois de uma visita de
estudo a Londres na companhia de Prof. Eduardo Calvet
de Magalhães, começa a fazer continuas
viagens a Barcelona e Sitges, muito possivelmente já
idealizando um novo espaço vital para um futuro
muito próximo, como aliás se veio a verificar.
"In the Night" um dos quadros talvez mais
emblemáticos do principio de uma rotura com a
pintura galega, pode também ser avaliado como
um dos primeiros sintomas de um profundo e latente desejo
de mudança. E assim foi de facto! pintor Barreiro
pintando um gaiteiro António Pessoa. 1998 António
Pessoa em 1998 rende-se à evidência da
pintura galega, decididamente não com a atitude
de impotente resignação mas sim com uma
saudável e lúdica postura de adaptação.
Apesar da modernidade e da efervescente vida nocturna
de Vigo e de toda a Galiza urbana, por assim dizer,
no campo das artes plásticas verifica-se uma
teimosa apetência por uma linha muito paralela
às primeiras vanguardas do século vinte,
coexistindo com uma abordagem temática tipicamente
galega. Artistas consagrados no noroeste de Espanha
como Laxeiro e muito particularmente Jaime Quessada,
apesar de alto nível técnico, seguem uma
estética vincadamente picassiana. Pepe Barreiro
,não foge à regra e nem demonstra vestigios
de que esse facto represente para ele nem para o seu
público local, grande motivo de preocupação.
António Pessoa dedica-lhe este óleo sobre
tela, criando um interessante jogo de contrastes algo
caricatos,entre a pintura de Barreiro,a cultura plástica
galega, o próprio personagem e obviamente o estilo
inconfundivel de Pablo Picasso. Todo lo que imaginas
es poco António Pessoa. 1998 "Todo lo que
imaginas es poco", cujo título penso que
dispensa tradução, é talvez o paradigma
de uma fusão de estilos e modelos que no ano
de 1998 de alguma forma inundavam a noção
conceptual de um artista subconscientemente tentando
organizar todo um leque de influências num só
Todo. António Pessoa a partir de 1997,altura
em que deixa a cidade do Porto para se instalar em Vigo,
é violentamente confrontado com a pintura galega
que lhe parece não só pueril como tematicamente
centrada numa cultura a qual não parece oferecer
muitas portas abertas para novas invenções
e de um público pouco receptivo aquilo que por
então se poderia entender por Últimas
Tendências ou muito simplesmente arte contemporânea.
Apesar de tudo, como é sabido, o artista luso
en terras galegas ao longo dos anos que se seguem consegue
de uma forma notável projectar sobre tela uma
nova visão da Plástica Gallega, o que
lhe concede com relativa facilidade uma entrada sem
grandes obstáculos no mercado do norte de Espanha.
No entanto este artista português na Galiza sabe
de antemão que o seu futuro de pensamento artistico
e criativo vai ter mais tarde ou mais cedo que abrir
asas e voar rumo a outros hemisférios de comunicação
plástica. E é precisamente nesta dimensão
de discernimento, que António Pessoa opta sabiamente
por conservar as suas reservas de modelo e inspiração,
não só intactas como também, justamente,
em plena evolução. Apesar do panorama
geral da arte na Galiza, António Pessoa sustenta
uma genuina admiração por alguns Mestres
galegos, como Jaime Quessada, Rafael Alonso, Laxeiro,
Vidal Souto e até Pepe Barreiro. Não obstante
os seus planos para o presente e para o futuro englobam
forçosamente outros valores de expressão
plástica,tanto dos Mestres das primeiras vanguardas
do século vinte, como Matisse, Marc Chagall,
Georges Braque, Tanguy, Picasso, Juan Gris, Kandinsky,
Paul Cadmus e Miró; como inevitavelmente e sempre
Maria Helena Vieira da Silva, Andy Warhol, Francis Bacon,
Frank Stella, Jackson Pollock, Fernando Botero. É
pois nesta atmosfera macroclimática de modelos
e influências que se vai desenvolver toda a Época
Romântica, até 2002, ano em que Pessoa
se instala em Barcelona para uma nova aventura artistica,
social, emocional e decididamente internacional. La
velada del marinaje António Pessoa,1997 - Black
and White album Na retrospectiva necessária e
especificamente na análise da Época Romântica
de António Pessoa, nunca é demais salientar
a importância do Black and White album, uma colecção
de desenhos realizada entre 1997 e 1998,editada em catálogo
em 1999. Nunca antes nem nunca depois o artista se presta
a demonstrar os seus dons como desenhador por excelência,
como nestes dois anos durante os quais consegue a proeza
de concluir cerca de 800 trabalhos de carvão
e grafite sobre papel. Ainda que o resultado total tenha
sido de uma polivalência camaleónica a
congruência subsiste muito mais no estilo do que
obviamente na temática, a qual dispara continua
e sucessivamente através de um universo de múltiples
abordagens. Considerada pela grande maioria dos criticos
como talvez a fase de mais qualidade de pura expressão
artistica de toda a Época Romântica, o
The Black and White album ilustra os recônditos
mais controversos do artista, através de uma
navegação introspectiva como analitica
a qual vai conduzindo o trabalho até situações
tão eclécticas quanto a então irrequieta
curiosidade, espirito provocador e até um bem
visivel e bem afinado sentido do caricato e do ridiculo
do artista ,podiam de facto conceber. E um bom exemplo
desta tese é este "La velada del marinaje",um
quadro de leitura subjectiva suscitando de imediato
um raciocinio abstracto, apesar de veia nitidamente
figurativa, não se chega a entender muito bem
a situação pretendida. Contudo o homo-erotismo
aqui bem patente leva-nos a deduzir uma existência
de uma certa denúncia,ainda que sem julgamentos
de valor, de uma realidade bastante frequente entre
seres do mesmo sexo quando condicionados a uma situação
de isolamento prolongado e naturalmente desprovido da
presença de elementos do sexo femenino. Muito
ao contrário de Pablo Picasso, Salvador Dali
e até da genial portuguêsa, Paula Rêgo,
a abordagem que António Pessoa faz ao erotismo
ao longo de toda a sua obra é meramente passageira,
algo camuflada e essencialmente ligeira. No entanto,
particularmente no The Black and White album existem
um bom número de registros de teor cruamente
erótico, ainda que dispersos e decididamente
sem obedecer nem implicar qualquer tipo de obsessão.
"La velada del marinaje" é talvez das
obras do album que pode conter uma linguagem plástica
especialmente crua ainda que extremamente caricata.
Andalucia - António Pessoa,1997 Já com
bastante experiência no país vizinho, é
contudo a partir de 1997 que António Pessoa começa
a sua carreira e a divulgação da sua obra
em Espanha. Apesar de viver em Vigo, viaja frequentemente
por toda a Peninsula, dedicando este óleo sobre
tela a uma das suas regiões favoritas. Andaluzia.
O seu gosto e admiração pela Festa Brava
faz-se notar com bastante frequência em muitos
dos seus trabalhos dos anos noventa. Apesar da crueldade
do tema, António Pessoa tem o pudor e a elegância
de tratar a Tauromaquia sem a vital necessidade de uma
abordagem demasiado realista, que é como quem
diz, sanguinária. O resultado visual é
então mais emblemático que propriamente
vil e contundente o que nos leva a concluir que o artista
apenas pretende um pensamento meramente cultural ou
até turistico, contrariamente à abordagem
que Pablo Picasso durante toda a sua vida e obra fez
da Tauromaquia, que como é sobejamente do conhecimento
universal, era fruto de uma verdadeira "aficción",
para não dizer obsessão. Neste Andalucia,
1997, António Pessoa consegue o movimento e o
momento de uma tourada tipicamente espanhola, através
de um curioso e original projecto de imagem dupla É
de salientar o facto de que o pintor em 1997 acabava
de concluir uma das suas épocas pictóricas
de inspiração mais contemporânea.
Convém referir que ao deixar Portugal para residir
em Espanha, a partir de 1997, António Pessoa
é apanhado de surpresa, primeiro com a pintura
galega, depois com a pintura espanhola em geral, muito
particularmente com as obras dos mestres do século
vinte. Estas interferências provam ter exercido
uma influência quase radical na linha da sua obra.
Oficialmente, em 1997 ao passar a viver em Espanha,
António Pessoa dá inicio à sua
polivalente e super-produtiva Época Romântica,1997-2002.
the Get Away - António Pessoa 2004 Marcadamente
influenciado por Maria Helena Vieira da Silva, António
Pessoa explora o tema Metropolis a partir dos primeiros
anos da década de noventa. Por então trabalhando
com a Galeria de Arte Almacem de Alfredo Moreira e para
enorme surpresa do artista todas as obras inspiradas
nesta temática são vendidas do dia para
a noite, facto que logicamente leva o galerista Alfredo
Moreira a entusiasmar António Pessoa no sentido
de ampliar e desenvolver mais obra dentro desta linha,
desejo que o artista naturalmente concede de bom grado
e grande energia criativa e laboral. Com o passar dos
anos António Pessoa inevitavelmente vai perdendo
os vestigios das influências de Vieira da Silva,
cujo resultado visual se vai tornando e desenvolvendo
dentro e mais além de uma linha estética
pode-se dizer que inovadora. Com a sua longa passagem
por Vigo e Espanha total, o artista vai deixando gradualmente
de lado este modelo que tanto lhe agrada, optando por
outras expressões plásticas com bastante
mais potencial comunicativo dentro do seio do público
espanhol. Contudo, em Barcelona, finais de 2003 o artista
decide uma vez mais retomar este fascinante mundo de
panorâmicas urbanas, quer seguindo uma veia hiper-realista,
quer optando por um certo abstracionismo. The Get Away
,António Pessoa, Barcelona 2004,é um óleo
sobre tela de fortes contrastes visuais e cunhado por
esse rigoroso,ainda que espontâneo,traço
de exímio desenhador característico do
pintor, coexistindo com uma privilegiada liberdade de
expressão plástica e uma vitalidade de
movimento e action painting notáveis Bright Changes
. António Pessoa 2004 - Picasso pintando Dora
Maar - (técnica mista ) Bright Changes, António
Pessoa, Barcelona 2004,é o retomar da colecção
Picasso painting Dora Maar. O artista uma vez mais debruça-se
nos amores e desamores do maior fenómeno das
artes do século vinte, Pablo Picasso e a sua
estranha e perversa relação com a pintora
e fotógrafa Dora Maar. Um curioso trabalho de
técnica mista onde Dora Maar aparece nesta obra
sem o usual toque de sofrimento com que Picasso nos
tempos em que a pintou a retratava, chegando ao ponto
de desarticular as formas fazendo-a parecer pouco menos
que um monstro. Neste quadro, António Pessoa,
muito possivelmente resolve atenuar a tensão,
concedendo-lhe um ar quase angelical. Talvez por isso
o titulo seja o mais adequado, proporcional aos tons
suaves e pasteis pelos que o artista decide optar. Um
trabalho generoso de António Pessoa no contexto
febril de uma colecção abordando uma das
mais controversas relações da vida de
Picasso. Preto no Branco Enquanto Worldwide-António
Pessoa, um projecto que realmente promete agrupar toda
uma série de ingredientes de interesse geral
e como não podia deixar de ser, não poupando
esforços no sentido de garantir uma análise
objectiva e profunda segundo um exigente critério
de qualidade, por muito peculiar e até pouco
erudito que pareça promete igualmente seguir
uma empolgante história quase em jeito de saga,
digna de uma mega-produção de Hollywood.
E aqui surge naturalmente a velha questão, aliás
perfeitamente lícita e razoável. E porquê?
Muito bem. Porque pura e simplesmente a própria
natureza do artista, aliás como têm vindo
a comprovar todos os trabalhos biográficos sobre
a sua vida e obra, sendo Mr. Jacob Kotsky indiscutivelmente
o grande pioneiro nesta matéria, como se tem
vindo a verificar desde a sua loquaz participação
literária no catálogo La Época
Romântica de Antonio Pessoa, com a esmerada tradução
do inglês ao castelhano por Pierre Fontanals;
a própria natureza do artista, dizia eu, de uma
forma tão natural, espontânea e inevitável
como o generalizado conceito do destino, tem-se responsabilizado
por conduzi-lo desde tenra idade até aos dias
de hoje, a situações perfeitamente cinemáticas,
justamente tão envoltas num enredo de sedução,
arte, aventuras, sexo, drama e mistério como
os grandes clássicos do cinema que todos nós
conhecemos e com os quais partilhamos de alguma maneira
emoções, inquietações, entretenimento
e até informação, cultura e conhecimento
universal. A estreita amizade e cumplicidade que se
gerou entre o artista e Jacob Kotsky a partir de finais
da década de noventa, fez progressivamente com
que António Pessoa se disponibilizasse ao longo
destes últimos anos a revelar confessáveis
e até inconfessáveis episódios
da sua vida, os quais Jacob Kotsky começou, continuou
e continua a recompilar, com notável dedicação
e cuidadoso sentido de análise, efeito e causa,
tanto a obra como as aventuras e desventuras da vida
do artista, todo um fascinante conjunto de situações
e circunstâncias as quais obviamente acabam por
ser um sólido manual de consulta e reflexão,
para todos os interessados em entender as oscilações
temáticas, os cambios drásticos de expressão
plástica, elementos estes que são sempre
e obrigatóriamente o espelho mais absoluto e
credivel da vida intima e pessoal do artista. Neste
sentido, Jacob Kotsky tem tido um papel predominante
na análise e divulgação da verdadeira
essência humana de António Pessoa, bastante
mais além do pigmento sobre a tela, bastante
mais nua e crua do que o próprio artista esperava
e até desejaria que tivesse sido, um trabalho
sem pompa nem circunstância na precisa e justa
medida de hiper-realismo a que nos tem habituado, sem
olhar a meios nem entrando em devaneios com o simples,
directo propósito e ú nica finalidade
de atingir um e apenas um resultado. A verdade! A partir
do momento em que António Pessoa se instala em
Barcelona, 2002, e muito especificamente após
a publicação do catálogo La Época
Romântica, Jacob Kotsky passa a ser um primordial
e imprescindivel ponto de referência no que respeita
a um conhecimento cada vez mais amplo como profundo
da vida e obra do artista português. Fazendo o
ponto exacto desta realidade é conveniente salientar
que António Pessoa por razões mais que
obvias reserva a Jacob Kotsky um lugar privilegiado
dentro do seu circulo de amigos, o que me leva facilmente
a deduzir que o trabalho biográfico de Kotsky
tem vindo a ser cada vez mais um acto de pesquisa sumamente
agradável e fácil de desenvolver. O próprio
espirito aberto do artista revela-se como um livro aberto,
facto que felizmente em vez de condicionar uma tarefa
substancialmente dificil, faz com que todo este processo
de recompilação biográfica se realize
com uma fluidez particularmente estimulante o que tem
decididamente não só proporcionado a Jacob
Kotsky uma fonte de informação disponivel
a todo o momento como feito com que todos estes interessantes
documentos sobre a sua vida e obra tenham chegado a
um público erudito com a devida pontualidade,
consistência e seriedade. Hoje, agora e com o
arranque do imprescindivel projecto Worldwide, em que
António Pessoa insiste e persiste na indiscutivel
questão de que a lingua de Camões seja
desta vez se não uma predominante pelo menos
tão presente como o castelhano ou inglês
em tudo o que se diz e prediz sobre a sua obra e até
sobre muitos aspectos da sua vida pessoal, Jacob Kotsky,
surge mais do que nunca como o epicentro de toda a credibilidade
que só o estudo e o conhecimento profundo sobre
determinada matéria pode efectivamente fornecer.
Por conseguinte tudo o que de bom ou menos bom possa
acontecer no futuro na vida e carreira artistica de
António Pessoa, forçosamente será
sobretudo um eco da verdadeira natureza e personalidade
do artista, onde obviamente a sua vida e obra do passado
mais ausente ou mais recente, é fundamentalmente
o ponto de apoio pelo qual teremos de nos orientar de
forma a definir uma avaliação e análise
correctas, justamente tanto por uma retrospectiva necessariamente
biográfica como utilizando a mesma fonte de maneira
a que todos possam entender os códigos plásticos
e os actos sociais da vida e obra do artista a curto,
médio e longo prazo. Esperando e fazendo votos
de que Worldwide - António Pessoa seja um bonito
e fascinante projecto para muitos e longos anos, tudo
parece estar estipulado para que este jogo de Arte e
Comunicação não seja violado por
estigmas como a pressa ou a ansiedade, mas sim pelo
contrário que seja um omnipresente emblema de
espiritualidade, paz, tranquilidade, invenção,
diálogo e discernimento global. Neste sentido
e neste objectivo penso que todos estamos de acordo
e intrinsecamente unânimes em explicitar uma mensagem
nova e positiva, oportunamente uma alternativa mais
a um mundo que nem sempre nos mostra uma perspectiva
nem luminosa nem especialmente brilhante. E como não
só com cores e formas se faz Arte e Comunicação,
o preto no branco aqui estará para o que der
e vier, na certeza porém de que uma informação
de qualidade é muito provavelmente o melhor que
se pode oferecer a um público interessado e culto
que sabe, reconhece e admite que Arte é uma expressão
muito mais profunda e complexa do que possa visualmente
apenas aparentar. A satisfação da tarefa
e da responsabilidade de fazermos chegar a arte proporcional
à própria vida é a melhor forma
de partilhar um projecto que desconhece fronteiras,
cores de pele, opções religiosas, politicas,
status sociais e apetências pessoais. É
justamente neste contexto de união sem olhar
a diferenças ,mas sim fazendo das diferenças
o contraponto e o bonito do diálogo e união,
que Worldwide-António Pessoa se inspira e respira,
sem esquemas nem camuflagens, unicamente existindo pela
simples felicidade de existir, contudo consciente da
autenticidade e até da importância de um
estilo de Arte e Comunicação que bem ao
Mundo só pode trazer! www . antoniopessoa . final
António Pessoa, uma personalidade estranha e
imprevisivel, tanto na obra como na vida pessoal, engana
o público, os colaboradores e até os amigos
intimos, sem querer e sem se aperceber de que a organização
que ele próprio ajudou a criar, depende a todo
o momento e a cada instante do seu bioritmo, da sua
persistente vontade e como não há bela
sem senão, igualmente da sua frequente oscilação
de humor e até do sentido da sua própria
vida. Não pretendendo eu abusar do cliché
de que os artistas são todos gente dificil, convém
desde já salientar que António Pessoa
decididamente não é nem penso que algum
dia venha a ser, a excepção que foge à
regra. Se lhe atribuimos e com determinante razão
as muitas qualidades que tem e que sistematicamente
prova que tem, é de nossa e neste caso de minha
justiça pelo menos de vez em quando tentar que
o artista seja oportunamente mencionado para dar a mão
à palmatória. Começo a suspeitar
de que o conceito e toda a alma de Home Studio é
acima de tudo o grande pretexto que António Pessoa
subconscientemente concebeu para fugir às responsabilidades,
e de uma forma muito razoavelmente particular aqui neste
caso especifico, tendo em conta o leque de colaboradores
e profissionais que dependem do estado de espirito do
menino e de algumas atitudes absolutamente caprichosas
que realmente sustentam a teoria de que ninguém
é perfeito e muito menos António Pessoa,
que eu abraço e admiro, porém não
posso deixar que algumas verdades venham à superficie
e até faço questão de que isso
aconteça. Todos sabemos de que há dias
e dias como também se diz que um dia não
é dia, porém quando os dias se seguem
como dias em que pensamos que é hora de avançar,
António Pessoa recolhe-se no seu Paraiso extra-terrestre
e não dando luz verde para adiar também
não demonstra grande urgência em dar luz
verde para que o projecto Worldwide comece a dar sinais
de movimento, já para não falar de Feedback.
Uma equação humana feita à medida
do Renascimento? Penso que não seja para tanto.
Contudo uma equação metafisica às
vezes bastante complicada de desvendar, talento misturado
com preguiça, uma capacidade laboral coexistindo
com uma indole sedentária de fazer roer as unhas
e bradar aos céus. O capitulo mais ou menos compreensivel
de toda esta equação de boas razões
e muitas contradições, deve-se ao facto
de António Pessoa desde já hà uns
anos a esta data, ter vindo claramente a manifestar
o tédio que lhe provocam as grandes urbes como
também os lentos protocolos das galerias de arte.
É natural e até perdoável que o
artista ciclicamente opte por uma letargia semi-tropical,
levantando-se a meio da tarde para um lanche que afinal
é o pequeno almoço, um pouco de trabalho,
enfim, um esboço...que mesmo desenho "à
la minute" temos forçosamente de admitir
que o talento está patente mesmo num bocejante
sarrabisco de efémera inspiração
do momento, um banho de sol de dez minutos e uma noite
de espontânea satisfação dos desejos...
Worldwide-Antonio Pessoa pode esperar, ao artista pelos
vistos que grande diferença lhe faz, a raposa
velha parece já não alimentar ilusões
inspiradas em fama e popularidade. Conhece-lhe os truques
e os contra golpes, a pressão, a má lingua,
a tensão e o pior de tudo a incómoda responsabilidade
de ter de deslocar-se, o ruido, a confusão e
as longas esperas e momentos mortos. O lado pouco atraente
e muito pouco social de um artista instalado no seu
próprio conceito de estilo de vida. Mas António
Pessoa, apesar de tudo grande respeitador da liberdade
de expressão, sabe perfeitamente que todos os
seus actos são prematuramente avaliados pelos
seus amigos e colaboradores, muitissimo mais que a sua
obra que parece agradar a todos...as suas oscilações
emocionais deixam muito a desejar e sobretudo quando
existe um dificil e ambicioso projecto para levar a
cabo, um projecto afinal de contas de sua inteira responsabilidade.
Ponto e virgula, www. antoniopessoa.final felizmente
não acontece todos os dias, ainda que estas ciclicas
bonanças de temperatura emocional muito frequentemente
arrastam-se durante semanas, quando tudo parece entrar
num estado de doce e suave apatia geral como a suave
brisa de Ibiza ou Barcelona outonal. Agora digo eu quase
que em jeito de troça, quem sabe quando venha
a Lua Cheia, Worldwide - Antonio Pessoa retome a sua
energia inicial. Uma coisa é mais que certa,
António Pessoa não é menino para
fugir com o rabo à seringa e esta teoria está
mais que comprovada. Há dias e dias e ponto final.
Worldwide-Antonio Pessoa é um motor turbo que
não tem a opção de fazer marcha
atrás. Resignadamente há que admitir que
há dias em que com o artista temos que ser pacientes,já
que a sua força vital consagrou-se com tal credibilidade
a tal ponto em que todos estamos seguros e conscientes
de que tudo se resume a um imprevisivel e artistico
fluxo emocional. Não pintando tão intensa
e freneticamente como nos anos noventa, não com
aquele sentido militante de cortar a respiração,
como nos relata Vicente Fernández, Jacob Kotsky
e David Santos, e que deu origem a uma monumental colecção
de óleos sobre tela, acrilicos, aguarelas, técnicas
mistas e desenhos, hoje conhecida como a Época
Romântica... António Pessoa no entanto,
hoje compensa esta drástica diferença
numérica de produção, com um outro
"savoir-faire" técnico e puramente
conceptual, o selo e a marca da New Era, a possibilidade
ainda não esgotada depois da exaustiva epopeia
plástica dos anos noventa. Por conseguinte é
justamente mais que natural que o seu ritmo emocional
tenha sofrido relevantes alterações e
logicamente o seu comportamento privado e social também
por igual. O Ponto Final é por assim dizer um
registro meramente passageiro já que parece que
todos sabemos de antemão que este artista português,
vivendo em Espanha ou onde quer que esteja em algum
devido momento; e que prova e comprova sistemática
e quotidianamente um inovador e avançado conceito
visual de pura literatura plástica, na qual acaba
por tornar-se objectivamente palpável uma visão
erudita do mundo em que vivemos, independentemente do
quase malicioso toque de pueril infantilidade que mais
do que comover, atenua aquela que às vezes acaba
por ser uma realidade demasiado dura para assimilar.
Ponto Final ! Edward Eglowsky. Genesis Gallery Ainda
Worldwide começa a dar os seus primeiros passos
primaveris, já o artista António Pessoa
começa a dar sinais desse vigor e vitalidade
que sempre lhe provoca o bom tempo e a suave temperatura
de Abril. Vestido com aquela nova tranquilidade do homem
de hoje, parece que faz lembrar o ditado "devagar
se vai ao longe".Ditado agora exemplificado e personalizado
na serenidade predominante de um artista nas suas sete
quintas, nem sempre com a faca e o queijo na mão,
porém invariavelmente perspicaz nas suas análises
de terreno e por conseguinte nas suas decisões.
Seja como for, Worldwide António Pessoa, começa
com uma breve visita a Viena de Austria, uma dessas
viagens de reconhecimento muito habituais no artista;
e com um assunto em "stand by" de há
uns meses a esta data, referente a Genesis Gallery,
em Stamford, Connecticut, Estados Unidos. Edward Eglowsky,
director da galeria faz já umas largas semanas
que mostrou particular interesse pela Obra de António
Pessoa. Parece-me desde já oportuno e relevante
mencionar o facto de que Genesis Gallery representa
nomes como Georges Braque, Cezanne, Henri de Toulouse-Lautrec,
Salvador Dali, Marc Chagall e claro, Pablo Picasso.
Sem sombra de dúvida nem reticências, justamente
a agradável e sábia companhia dos Grandes
Mestres ou Monstros Sagrados do século XX, a
António Pessoa não lhe faria nada mal,
não fosse o caso inesperado de que para o jovem
artista português esta questão de religiosamente
idolatrar os mitos das artes do recente outro milénio,
não assume grande importância nem significado
mais do que a justa admiração que possa
sentir por cada um deles. Logo e por conseguinte a coisa
tem ficado em águas de bacalhau, se por desleixo
de Edward Eglowsky ou se por esquecimento do artista,
o certo é que nem Pablo Picasso, Dali, Toulouse-Lautrec,
Cezanne e Braque ainda tiveram o prazer do mais um para
parecermos muitos, enfim, que é como quem diz,
vamos lá a vêr. Sobejamente popular o espirito
comodista de António Pessoa, tem-lhe criado vantagens
e também desvantagens, por um lado mantendo-o
no seu home Studio recolhido no trabalho, no estudo
e na boa companhia dos poucos mas bons amigos durante
longas temporadas, por outro lado desperdiçando
provavelmente excelentes contactos tanto no campo profissional
como puramente social. Uma vez mais o assunto Eglowsky,
Genesis Gallery, ficou pendente, como que perdido no
tempo e no espaço. António Pessoa como
sempre comovedoramente com pouca paciência para
os negócios, vai adiando decisões que
só ele pode tomar, apesar de gozar do privilégio
de ter colaboradores à altura de, por assim dizer,
administrarem uma eficaz e responsável gestão
da sua carreira. Porém, a verdade é que
contrariamente à realidade de uns quatro ou cinco
anos atrás, hoje em dia todos os que com ele
colaboram directa ou indirectamente estão obrigatoriamente
mentalizados de que nada deve ser feito ou decidido
sem a última palavra com a assinatura legítima
do artista. Ainda que genuino grande admirador de Chagall,
Lautrec, Braque e Picasso...Salvador Dali parece importar-lhe
cada vez menos, segundo palavras do artista. Em todo
o caso pensamos que seria bom que o primaveril António
Pessoa despertasse desta semi-letargia de inspiração
"ganha fama e deita-te na cama" e voltasse
a ter aquele brilho de brio e ambição
nos olhos e aquele incurável sentimento de insatisfação
de há uns anos atrás que independentemente
de lhe darem um certo ar de graça e jovial dinamismo,
acabava por contagiar quem quer que estivesse na sua
companhia. A realidade hoje é um António
Pessoa cada vez mais saturado das grandes metropolis,
entediantes reuniões de negócios e de
check ins e check outs de hoteis para não falar
dos ruidosos aeroportos que o artista cada vez mais
parece irremediavelmente abominar. Se Edward Eglowsky
corresponder aquele tipo de pessoa flexível e
predisposto a ceder aqui e acolá, então
não será de todo improvável que
Georges Braque, Pablo Picasso, Toulouse-Lautrec, Cezanne
e Dali tenham a seu lado o seu mais fiel discipulo,
mas verdade seja dita, também o mais dificil
de todos eles. António Pessoa! Antonio Pessoa
Art Gallery De todos os modos e curiosamente, esta peculiar
reserva em relação às galerias
de arte, tem sido desde muito cedo no percurso artistico
e profissional de António Pessoa, não
de maneira nenhuma um contencioso ou coisa que o valha,
mas sim uma opção, ou melhor dizendo,
uma reacção natural e espontânea,
por um lado devido à típica lentidão
e falta de dinamismo de muitissimas galerias de arte,
contudo entendemos que o que mais tem contribuido para
este facto deve-se essencialmente à verdadeira
natureza do artista encaminhando-o desde a sua adolescência
para um modelo, digamos, talvez mais autónomo
de gerir a sua carreira e consequentemente a sua vida
privada e pessoal. Segundo os inúmeros apontamentos
biográficos de Mr. Jacob Kotsky na elaboração
do livro About Antonio Pessoa, é sabido que remontando
aos seus tempos de Amsterdão, ainda com apenas
dezassete anos de idade, o jovem artista já demonstrava
os primeiros sintomas da sua intuitiva apetência
por trabalhar com intermediários, desta forma,
digo eu, talvez sendo afinal de contas uma certa vantagem
na medida em que este modus operandi seguramente lhe
permitia usufruir de mais espaço anímico
vital e tempo real para assim ir paulatinamente desenvolvendo
a técnica e o aprumo da sua já promissora
coerência criativa. Primeiro, Gerard Meerman toma
nas suas mãos a gestão comercial das primeiras
obras de António Pessoa na Holanda, estamos a
falar do inicio dos anos oitenta. Mais tarde Peter van
Dijk interessa-se pela divulgação e venda
dos trabalhos do artista português, neste caso
não tanto por uma questão meramente económica
mas essencialmente por motivos de cumplicidade legitima
como se veio a revelar. O mesmo já não
se pode dizer do americano Lee Roberts que escassos
anos mais tarde viu na obra de Pessoa uma boa oportunidade
de realizar dinheiro facilmente. Seja como for, o interessante
desta análise é efectivamente concluirmos
que desde uma tenra idade, António Pessoa parece
ter encontrado neste modelo de trabalho de equipa a
velocidade de acção justamente adequada
ao seu ritmo de produção e temperamento.
Este quase desinteresse e até indiferença
por trabalhar com galerias de arte veio dez anos mais
tarde a tomar proporções bastante mais
acentuadas quando em finais dos anos oitenta e principio
dos noventa, António Pessoa pelas mãos
de Ana Ferreira Mendes começa a expôr em
hoteis e casinos até à altura em que conhece
Alfredo Moreira, aquele que viria a ser seu Marchante
durante quase toda a última década do
outro milénio. Mais tarde, já residindo
em Vigo, com Vicente Fernández Lago dá-se
o mesmo fenómeno de Déjà Vu, tornando-se
até aos dias de hoje o administrador da obra
de António Pessoa em Portugal e norte de Espanha.
Apesar do facto de tanto Alfredo Moreira, então
director da galeria Almacem na cidade do Porto como
Vicente Fernández Lago, e proprietário
da galeria Trastevere em Vigo, possuirem estes espaços,
efectivamente galerias de arte, a forma como sempre
trabalharam com António Pessoa obedecia a um
quase modelo de exclusividade, chegando Vicente Fernández
mesmo ao ponto de ter Pessoa representado como Artista
Único. Com a posta em prática e em cena
do Ciclo Zodiaco, já no novo milénio,
atingindo o seu nivel máximo em Barcelona 2004
com mais de um milhar de clientes, António Pessoa
conquista de uma forma absoluta a sua autonomia e total
independência, naturalmente acentuando de um modo
mais radical a sua falta de motivação
directa em ajustar a sua carreira às agendas
frenéticas e superlotadas das galerias de arte
espalhadas pelos cinco continentes. Resumindo não
restam contrapartidas de que o contraponto da situação
tem o seu epicentro em meados dos noventa, quando, efectivamente
e sem a necessidade de complicadas equações
matemáticas, António Pessoa recebe de
braços abertos as oportunidades que a Divina
Providência lhe entregou assim de bandeja e que
o artista soube aproveitar obviamente com a capacidade
laboral a que nos tem invariavelmente habituados e o
talento inegável que, verdade seja dita, em vez
de lhe ter subido à cabeça, transformou-se
em produção, estudo contínuo e
uma especie de humildade que só os grandes homens
sabem vestir sem que corram o risco de parecer mediocres
arrogantes disfarçados de falsa modéstia.
António Pessoa, por assim dizer, em meados dos
anos noventa sente-se nas suas sete quintas nesta situação
de autonomia, na qual pode-se dar ao luxo de dedicar-se
de corpo e alma às artes plásticas sem
qualquer tipo de interrupções e contratempos
dignos de que sejam suficientemente relevantes ao ponto
de termos que os mencionar. Naturalmente que o preço
que teve que pagar foi um especial atraso na consagração
de uma certa popularidade e reputação
mundial, facto este no entanto atenuado por uma situação
financeira, diga-se de passagem, muito pouco comum num
jovem músico e excelente pianista recém-chegado
ao mundo das artes. Nesta situação de
autonomia em que tanto Alfredo Moreira do Porto como
Vicente Fernández Lago de Vigo tiveram o papel
de mecenas, marchante, relações públicas
e administradores da obra, António Pessoa não
deixa o destino ao sabor da vontade dos Deuses e inventa
ou adapta à sua própria maneira um método
criativo-laboral, que ele mesmo entitula Acção
Directa Total. É pois em plenos anos noventa
que o jovem artista usufruindo do consistente e subsistente
apoio de dois mecenas que nele sabiamente apostam, nesta
tranquila atmosfera de plena autonomia e num mega-estudio
que fica na História como Atlantis; que António
Pessoa entra, de pincel na mão e a tela no cavalete,
na mais produtiva odisseia desde os mestres do Renascimento,
Pablo Picasso e mesmo Dali. Esta epopeia de versões
e invenções plásticas, segundo
o método Acção Directa Total, acaba
por ser internacionalmente conhecida como "The
Romantic Period", A Época Romântica,
1997- 2002. António Pessoa, reconhece, sabe e
admite que nenhum de todos estes privilégios
teriam sido possiveis se tivesse optado por um tipo
de mercado, digamos, mais ortodoxo, mais caprichoso,
mais lento, pseudo-intelectual e muito possivelmente
o derradeiro golpe de misericórdia na sua alucinante
evolução através do universo Ibérico
da arte contemporânea. Arte - António Pessoa
- Arte . um Satélite-Espião Made in Portugal
. Quando surgiu, que é como quem diz, quando
surgiu a ideia e a decisão de efectivamente andar
para a frente com o projecto Worldwide - Antonio Pessoa,
uma das primeiras intervenções do artista
e comunicador foi nada mais nada menos que bater o pé
e fazer indiscutivel questão de que o público
português tivesse a oportunidade de acompanhar
esta que promete ser a odisseia das odisseias a nivel
internacional, no idioma de Camões, ou se preferirem
de Fernando Pessoa...ou ainda Saramago. António
Pessoa a dado momento toma consciência de que
a maior parte dos seus amigos e criticos de arte são
de Madrid, Barcelona, Europa Centro e Estados Unidos.
Apenas eu e Nancy Igartiburu Anderson faziamos o núcleo
de expressão portuguêsa. Nancy, estes últimos
anos vivendo freneticamente entre Paris e São
Paulo e com graves problemas familiares, não
podia comprometer-se uma vez mais com António
Pessoa, pelo menos dentro de um contexto de colaboração
que exigiria desde logo à partida uma dedicação
quotidiana e suficientemente intensa. Mea culpa, mea
culpa, porém confesso que cheguei ao ponto de
tentar dissuadir António Pessoa com o simples
e simplório argumento de que um país de
dimensões reduzidas e escassa população
como Portugal, não iria fazer grande diferença
num projecto absolutamente internacional. Ainda não
tinha terminado a minha tese e já António
fazia uma das suas revoluções de causa,
razão, lógica, patriotismo e obrigação.
Em menos de uma semana calculo que tenha feito mais
de cinquenta chamadas de longa duração,
sem contar as infinitas trocas de e-mails e um bloco
de notas onde ia organizando o assunto em questão
o melhor que podia e sabia. Graças a Deus, Rafael
Medina de Sousa foi a nossa salvação,
um milagre justo à medida de uma situação
que não tinha outro remédio que uma solução.
Por seu intermédio pudemos aceder ao espirito
voluntário dos mais jovens e talentosos, que
para além de gostarem do trabalho do artista
gozam do talento e facilidade de expressão literária
com fluidez e poder de retórica mais que suficientes
para um certo tipo de jornalismo de qualidade e os conhecimentos
de arte imprescindíveis a uma análise
profunda, legitima e genuina. Por conseguinte, com Anabela
Tavares, Rafael Medina de Sousa, Gabriela Hoffman e
eu próprio, acabamos por solucionar a questão
e nesse fim-de-semana chuvoso e húmido de Fevereiro,
2007, encontramo-nos todos no aeroporto internacional
de Faro para dois intensos mas divertidos dias de conversações
com alguma borga à mistura. António Pessoa
tinha ficado no seu Home Studio em Santa Eulalia, Ibiza,
mas sempre acompanhando o desenrolar da novela à
minha custa, pois era eu quem fazia as chamadas com
o caríssimo prefixo 0034. Assim nascia Arte,
António Pessoa, Arte, um projecto que até
agora tem funcionado dentro de uma agradável
atmosfera de companheirismo e carolice ,e algum interesse
decorativo que é para mais não dizer,
contando com a generosidade do artista sem descurar
o seu bem conhecido genuino sentido de gratidão.
António Pessoa, não nutrindo nenhum especial
interesse por internet a não ser para sessões
de consulta referentes a outros colegas artistas, Museus
e galerias de arte da primeira divisão, desde
o Verão de 2006 que se queixa sistematicamente
da escassa informação sobre o seu trabalho
no idioma de Camões. Assim seja feita a sua vontade,
que a mim pessoalmente parece-me uma excelente tomada
de posição. Não são raras
as vezes em que António Pessoa sentado à
mesa do restaurante frente a frente com Vicente Fernández
Lago, de falinhas mansas mas sem gaguejar, lhe aponta
o dedo e queixa-se da pouca divulgação
que tem feito da sua obra no seu país natal.
Vicente Fernández disfarçando-se de bom
perdedor, arruma a questão com um "lo siento
muchísimo" para em seguida lembrar ao artista
que em contrapartida a sua reputação no
país das castanholas foi muito mais além
das expectativas e tudo isso graças a ele...a
Don Vicente Fernández Lago. Estas pequenas ambivalências
que segundo consta já existem e persistem desde
o século passado, desta vez o artista vê-se
obrigado a tomar a iniciativa asegurando-se na medida
do possivel e dos recursos humanos disponiveis, de que
os portuguêses amigos das artes plásticas
e muito particularmente do seu trabalho possam de facto
e em tempo real seguir com o minimo de diferenças
de fusos horários, tudo o que de bom e menos
bom se vai passando com o empolgante enredo de Worldwide
- Antonio Pessoa. Worldwide-Antonio Pessoa, mais uma
das ambiciosas ideias de Jacob Kotsky, o gentleman de
origem polaca que desde os anos noventa que tem como
prioridade quotidiana o estudo de toda a vida de António
Pessoa, obra, passada, presente e futura, naturalmente
nutre um interesse especial em que o projecto Worldwide
tenha todos os ingredientes de uma fascinante aventura
intercontinental, uma especie de trágico-comédia
inevitável e comparativamente proporcional à
vida e obra do artista. Ainda que António Pessoa,
hoje em dia tenha acalmado e de alguma forma adquirido
uma sóbria maturidade e um Know How mais próprio
de um cavalheiro do que do aventureiro irrequieto de
um passado não muito distante, diga-se de passagem;
Jacob Kotsky talvez seja o último a deixar-se
enganar, já que quanto a mim, tenho uma credível
impressão de que intrinsecamente conhece melhor
o artista do que a sua própria mãe, o
que me leva facilmente a deduzir que toda esta bonança
e calmaria na vida de António Pessoa muito provavelmente
aos olhos e sentidos apuradissimos de Mr. Kotsky é
justamente aquela estranha sensação de
silêncio e imobilidade estática que normalmente
antecede as tempestades. A vêr vamos. Seja como
for, aqui ficam os votos em meu nome e em nome de toda
a equipa, de que Arte, António Pessoa, Arte venha
a ser um notável satélite espião
Made in Portugal, não só para fazer uma
cobertura informativa e analitica de Worldwide mas também
que com o passar das semanas e meses possa de facto
adquirir uma alma própria e autonomia suficiente
para tornar-se num ponto de referência importante
para muitos portuguêses e brasileiros interessados
em boa arte contemporânea e muito particularmente
na obra, aventuras e desventuras da Nova Era de um artista
chamado António Pessoa. Atlantis, Vigo - A Época
Romântica António Pessoa consegue um mega
espaço não muito longe de Vila Nova de
Cerveira, rodeado de bosques e dos bons ares da natureza
com uma espectacular vista e bons vizinhos, rústicos
mas de boa fé. As suas visitas a Cerveira ao
principio assiduas tornam-se cada vez menos frequentes.
De algum modo a ideia que tinha da terra de facto aos
seus olhos acabou por não corresponder às
expectativas. Alguns meses mais tarde António
Pessoa descobre aquele que vai ser o estudio Atlantis,
justamente em frente à praia do Samil,Vigo.Este
vai ser durante cinco maravilhosos anos o seu atelier,
casa e paraíso celestial. Vigo oferece-lhe aquilo
que o Porto nunca teve, a capacidade de conceder-lhe"La
Fiesta de la Vída", alegria, noites escaldantes,"La
Movída" espanhola e amigos para toda a vida.
Neste ambiente, acaba por reencontrar-se e e neste ambiente
se inspira para concretizar efectivamente a sua mais
intensa e frenética epopeia plástica.
A Época Romântica! Ainda que a principio
dilacerado pelo estado obsoleto em que a arte galega
se tinha deixado adormecer, António Pessoa de
alguma forma sabe superar esta realidade concebendo
novas e mais contemporâneas versões imprimindo-lhes
o exotismo necessário e a sexualidade ainda que
sabiamente camuflada, adicionando os seus próprios
ingredientes e especiarias através de uma culinária
plástica estranhamente híbrida e ao mesmo
tempo concentrada num modelo de linguagem e expressão
artistica globalmente uniforme. Parece-me oportuno mencionar
que António Pessoa, sempre fazendo justiça
à sua reputação e cada vez mais
igual a si mesmo, mesmo dando-se o indiscutivel caso
de não ser de seu estilo fazer qualquer tipo
de cedências, é e sempre tem sido sintoma
da sua natureza como artista e comunicador, ir ao encontro
do público utilizando uma linguagem plástica
compreensivel. António Pessoa, um pouco em jeito
de graça, conta que certa vez o Prof. Eduardo
Calvet de Magalhães, fundador da escola e galeria
Árvore do Porto, lhe disse directamente"
você, António Pessoa, é um pintor
maldito, sabe o que as pessoas gostam e dá-lhes!"
Há de facto uma mais que certa verdade nesta
afirmação, seja com retoque ou com mais
ou menos subtileza, o certo é que o artista sempre
aplaudido por muitos e criticado por poucos, toma desde
o inicio da sua carreira esta posição
tipicamente Hollywoodesca, não tanto por calculismo
adquirido mas sim de facto por natural genética
tendência levando-o a absorver e logo e por conseguinte
a espelhar as sugestões culturais, sociais e
ambientais que mais lhe estão próximas.
De bom presságio, esta caracteristica da sua
natureza, vistas bem as coisas, de facto tem-lhe trazido
mais beneficios que desvantagens. António Pessoa,
qual Camaleão, ainda que sempre patente o selo
do seu estilo de pose, jeito e pincelada, muda de temática
como quem muda de camisa, esgotando todas as possibilidades
e mais importante não permitindo que o tédio
de maneira nenhuma invada o espectador, como um longo
desfile de obviedades de nos fazer dormir e bocejar
por mais. E é com estas e com outras que a partir
de 1996,um artista luso entra em Espanha e sem muito
hesitar, começa a deitar cartas na mesa. Conhece
o galerista Carlos Alvarez, quem se apaixona imediatamente
pela sua pintura, Alpide Villa Rodriguez, um dos maiores
coleccionadores de arte em toda a Galiza, Faustino Moiños,
um jovem mecenas à maneira e por então
dono do charmoso pub-galeria Pianíssimo... onde
António Pessoa para além de expôr
e bem vender as suas obras, encantava a noite viguesa
com a sua soltura e sentimento musical no piano de cauda
que hoje tem a sua assinatura... ...e finalmente, aquele
que viria a ser o administrador da obra de António
Pessoa em Portugal e norte de Espanha, Vicente Fernández
Lago. Em 1998 Fernández Lago patrocina um dos
mais importantes, controversos, originais e eruditos
catálogos do artista português. The Black
and White album ou El album Blanco y Negro. Uma primorosa
selecção de cerca de 300 desenhos, grafite
e carvão sobre papel, nos quais o artista decididamente
revela ao público as suas capacidades técnicas
e de pura expressão visual, plus um calibre de
qualidade só testemunhado nos esboços
de um Leonardo DaVinci, Salvador Dali, Pablo Picasso,
Matisse e Rembrant. The Black and White album despertando
na altura um considerável interesse, acaba por
obter ao longo dos últimos anos o aplauso entendido
da nova geração de criticos de arte, nomeadamente
Marc Gilot, Anneke Frenken, Carol Damisch, Arturo Bermejo,
Isabel Lostal, Ariana Martínez, Ulrike van Brug,
Arthur Zimmerman, Carmen Olaya, etc... Escusado será
mencionar Jacob Kotsky, já que para além
de amigo pessoal do artista, é sem sombra de
dúvida o maior entendido em tudo o que diz respeito
a toda uma ampla dimensão envolvendo o personagem,
vida e Obra de António Pessoa. Inocentemente,
em 1998, o artista português acabava de provar
que na sua Obra não há truques nem camuflagens
tecnológicas, não por sistema e decididamente
jamais por necessidade ou falta de técnica e
talento. Com o album Blanco y Negro, António
Pessoa em terras de Espanha colhe um eco muito mais
além das suas próprias expectativas, afirmando-se
como "Maestro",como um dos últimos
dinossauros do prestigioso conceito da velha e tradicional
Escola das Belas Artes! No entanto e apesar de que as
criticas ao The Black and White album não pudessem
ter sido mais favoráveis, em termos de vendas
reais não foi grande coisa. Os coleccionadores
continuavam a preferir os óleos sobre tela, seja
por snobismo, por tabu ou por puro investimento. E uma
vez mais, neste campo de, digamos, matéria prima,
António Pessoa estava no seu elemento, domínio
e território. Aproveitando as lendas e mitos
celtico-galaicos, declara uma feroz guerra às
telas em branco plasmando contos e histórias
onde "meigas", corcundas, gaiteiros, duendes,
arlequins, frades e monjas, fantasmas, anjos e arcanjos
coexistem num todo alegórico e cinemático.
Ao emaranhar assim o verossimilhante e o fantástico,
António Pessoa vence, conquista, convence e encanta,
pintando e dizendo que as fantasias estão irremediavelmente
entranhadas no mundo factual e é absolutamente
inútil e contraproducente separá-los!
Agora sim,em óleo sobre tela, António
Pessoa já não necessita de mais argumentos
e Galiza recebe-o de braços abertos, em vendas,
status social, prestigio e devoção. António
Pessoa em 2001 e já casado com Irene Luz Iglesias
Dona, já é cidadão espanhol, artista
português e património galego! ARTE - António
Pessoa - ARTE ! Arte, Antonio Pessoa - Arte é
um conceito absolutamente português, visando uma
nova aposta do artista em território nacional,
com uma linguagem e expressão adequadas às
nossas gentes, sem pretender entrar em pretenciosismos
de pseudo-erudição, mas pelo contrário
fazer chegar a arte e o artista preferivelmente a uma
vasta camada da população. Estamos aqui
com essa atitude apoiada pelo próprio artista,
o qual precisamente acredita que é tempo de mudar
um pouco as coisas ( para melhor!),no sentido de partilhar
uma forma de literatura visual tão bela como
as Belas Artes e quase tão bela como o belo país
que é Portugal. Comentava recentemente Pierre
Fontanals num artigo sobre António Pessoa para
o Jornal Galicia, o estigma de Portugal viver ainda
numa atmosfera terceiro mundista, referindo-se ao facto
de só abraçar os seus valores ou a titulo
póstumo ou quando depois de triunfarem no estrangeiro
e chegados a uma idade avançada receberem por
fim (que remédio) o reconhecimento atrasado do
país que os viu nascer. Pensem o que quiserem,
especialmente aqueles que pouco se aventuram no país
vizinho, seja em trabalho ou lazer, mas o certo é
que estas piadinhas subtis aos espanhois "les encanta!".
Pierre Fontanals, aliás um bom rapaz e grande
amigo nosso, pense ele o que quiser. Verdade seja dita
aqui estamos nós para pelo menos tentar virar
tudo ao contrário. António Pessoa é
nosso, pertence-nos e tudo o que estiver ao nosso alcance,
não pouparemos esforços em estabelecer
uma relação desde hà dez longos
anos em Stand By. Por estas e por outras, Arte - António
Pessoa - Arte, tem como objectivo primordial aproximar
o artista de Portugal e vice-versa. Se para Vicente
Fernández Lago, administrador da Obra do artista
na Galiza e Portugal, tanto se lhe dá como se
lhe deu esta situação de "nem de
mãos dadas nem de costas viradas",para Luis
Santiago o caso muda de figura, já que independentemente
do facto de ser amigo intimo e colaborador de António
Pessoa, vive em Barcelona há mais de trinta anos
e é com especial orgulho que testemunhou e testemunha
a crescente reputação e cotação
internacional do artista, concluindo sem o minimo vestigio
de mania das grandezas que António Pessoa é
um dos grandes embaixadores de Portugal no mundo da
arte contemporânea. António Pessoa, para
o qual esta triste "irrealidade!!" parece,
enfim, coisa de pouca monta, de certeza não perdendo
sequer uma hora de sono por esta causa sem causa, contenta-se
e até se poderia dizer que se dá por satisfeito
com a atenção global que o seu trabalho
vai despertando, dando-lhe até, a bem dizer,
um certo prazer em poder gozar de um quase total anonimato
sempre que visita Portugal. Para Don Vicente Fernández
Lago, as razões que vão alimentando esta
balsâmica indiferença são mais que
lógicas, pois , verdade seja dita e publicada,
realiza-se bem mais comercialmente com a Obra do artista
português em Espanha do que no Reino de Sócrates!
Carvalho Pinto de Sousa Land! Arte - António
Pessoa - Arte, é um projecto de tranquila comunicação,
no idioma de Camões, apenas um projecto, não
uma revolução. Os portuguêses decididamente
que o merecem, justamente agora em que tão na
moda está essa coisa dos Grandes Portugueses
E falando no Diabo, uma coisa do arco-da-velha, já
que Maria João Pires ficou nos últimos
dos cem e o António Oliveira...bem mais à
frente, e escandalizado ficou o Dr. Mário Soares
.E esta, hein? Cá por mim, com certa razão.
E a questão fica no ar! Será que os portuguêses
sentem desesperadamente a falta de Grandes Portuguêses
ou será que os Grandes Portuguêses sentem
a falta de Portugal? Arte - António Pessoa -
Arte tenta de alguma forma contribuir para a eliminação
deste lapso, ainda de todo não crónico
,porém roçando a tragico-comédia.
Luis Santiago(Barcelona),Rafael Medina (Lisboa-Madrid),
Veronica Amaral (Lisboa),Gabriela Hoffman (Estoril)
e eu própria, por agora constituimos o Todo desta
transpiração de pura carolice, ainda que
muito generosamente António Pessoa nos continue
decorando as paredes de nossas casas com o que ele melhor
sabe fazer. Pintura! E efectivamente é a pintura
de António Pessoa que tencionamos divulgar ao
público português um tanto ou quanto adormecido
com papas de sarrabulho e "Morangos com Açucar"!!!A
ideia de Luis Santiago deu-nos um entusiasmo que sem
sabermos nos faltava. Merecemos finalmente uma referência
cultural com pés e cabeça e decididamente
pernas para andar. Arte - António Pessoa - Arte,
acaba por reunir cinco pensamentos num só discernimento.
Uma equipa consciente de que algo de muito importante
no seio da arte contemporânea se está a
passar. Um algo muito artistico, genial e muito português,o
inventor de si mesmo e agora que já não
restam dúvidas, o inventor da Nova Era ! Amsterdam,
Nederland Enquanto os lobos uivam e os cães que
ladram...não mordem, Mr. Jacob Kotsky, amigo
pessoal de Vicente Fernández Lago e amigo intimo
e estreito colaborador de António Pessoa desde
finais dos anos 90, a partir de 2003... começa
a interessar-se pela feitura da biografia do ainda jovem
artista. Em 2003 escreve um sem número de artigos
sobre a vida e Obra do pintor, traduzidos do inglês
ao castelhano por Luis Santiago e editados na publicação
do catálogo La Época Romântica de
António Pessoa. No entanto só em 2006
Jacob Kotsky começa realmente a escrever a um
ritmo acelerado, os capitulos mais interessantes e relevantes
da vida e Obra do artista. Ainda que About Antonio Pessoa,
um livro que promete e compromete, por agora não
passe de uma infinidade de apontamentos dispersos e
anacronicamente fragmentado, tudo indica que venha a
ser muito brevemente uma realidade enciclopédica,
biográfica, mordaz e sobretudo profundamente
analítica. Através desta biografia o leitor
viaja no tempo até aos dias em que António
Pessoa vive entre Londres e Amsterdam, ganhando a vida
como pianista e já estabelecendo seriamente uma
forte relação com as artes plásticas.
O adolescente António Pessoa entra no mundo da
pintura com a naturalidade desconcertante daqueles a
quem o talento não lhes falta. Num caso muito
particular, Amsterdam é uma cidade em plena ebulição
social, cultural e cosmopolita, o palco perfeito para
um jovem curioso e irrequieto. Enquanto Portugal, mergulhado
num conturbado periodo pós- revolução
e pós-guerra colonial teria sido o golpe de misericórdia
para um espirito sensivel e já habituado ao avanço
social do norte da Europa, para António Pessoa,
Holanda é um quarto de brinquedos, que é
como quem diz,um epicentro de actividades diversas como
música, teatro, arte...e sexo!,que o artista
aproveita e assimila ,desenvolvendo a sua intuição
emocional e criativa e projectando-a sem pedir licença
em todas as actividades em que participa, música,
teatro e finalmente a pintura. António Pessoa
vive seis anos em Amsterdam (ou Amsterdão!),seis
intensos e aventureiros anos trespassados aqui e acolá
por algumas timidas e curtas visitas ao seu pais de
origem, ainda muito a preto e branco para o apetite
cromático do jovem talento. Contudo estes loucos
e felizes tempos em terras flamengas, são ciclicamente
interrompidos pelas inúmeras visitas que faz
a Paris, Londres, Berlim e Copenhaga (Copenhagen!).António
Pessoa de "blue jeans" e "moon beams",também
visita Veneza, Grécia e por duas vezes Marrocos.
Umas vezes só, outras vezes com amigos e por
último com a sua companheira holandesa, Yvonne
Smit. Também é com Yvonne Smit que António
Pessoa passa os seus últimos tempos na Holanda,
vivendo sete meses em Groningen e regressando a Amsterdam
para uma derradeira despedida. Estamos em meados dos
anos 80, quando o artista com vinte e poucos anos de
idade regressa ao Porto em jeito de visita de médico,
para logo viajar para o Algarve e sul de Espanha,onde
durante alguns anos interrompe drasticamente a sua actividade
pictórica, vivendo única e exclusivamente
da música, tocando o piano em hoteis e pubs desde
Albufeira até Málaga, desde Torremolinos
até Ibiza. É esta ilha balear que António
Pessoa visita pela primeira vez com apenas quinze anos
de idade, que muito anos depois vai ser o seu cantinho
paradisiaco e o seu Home Studio semi-tropical. Em 1998
o artista luso viaja de automóvel até
à sua querida cidade holandesa para um reencontro
depois de tantos anos. No entanto só a partir
do momento em que se instala em Barcelona, António
Pessoa desloca-se a Amsterdam com frequência entrando
em contacto com velhos amigos e fazendo novas amizades,
desta vez quase todas elas de uma forma ou de outra
directamente envolvidas no mundo das artes plásticas.
Em última análise se Porto é a
sua cidade Natal, para António Pessoa, Amsterdam,
Nederland, ficou, é e sempre será decididamente
uma das suas cidades favoritas! O Ciclo Zodiaco Se muitos
pensam, e a verdade é que pensam, que grande
parte de êxito de António Pessoa foi tudo
uma questão de sorte, estão redondamente
enganados. Talvez, digamos, que muito possivelmente
o artista tenha nascido com o "coiso" virado
para a lua, mas o mais certo e justo é efectivamente
concluir que Pessoa...António parece ter sempre
sabido fazer-se rodear e acompanhar de colaboradores
não só multifacetados mas essencialmente
inventivos. E um grande exemplo desta teoria foi a posta
en prática do Ciclo Zodiaco em 2003,já
o artista vivendo e trabalhando em Barcelona. Tanto
Luis Santiago como Pierre Fontanals mostraram-se à
altura da situação tanto mais que a operação
foi concluida com extrema eficácia, organização
e actuação em termos de tempo real, aquilo
que no corrente anglicismo se conhece por "Timing".
O Ciclo Zodiaco, inventado por Gala e Salvador Dali
em Paris em plenos anos 30, baseava-se na ideia de que
cada coleccionador de arte se comprometia a adquirir
um quadro do artista catalão uma vez por ano.
Isto somado por algumas dezenas de coleccionadores permitiu
a Gala e Dali usufruir de uma metódica situação
financeira que por assim dizer lhes permitia um nivel
de vida adequado às extravagâncias do casal
sem deixar obviamente de mencionar o facto que esta
tranquilidade económica fez com que o então
jovem surrealista pudesse de facto dedicar-se de corpo
e alma ao trabalho sem a necessidade de fazer qualquer
tipo de cedências. Dito e feito. Pierre Fontanals
conhecedor deste modus operandi, aproveitando eu desde
já a oportunidade de referir e salientar o facto
de que seus pais eram amigos intimos de Salvador Dali,
convence António Pessoa a fazer o mesmo, ou pelo
menos a editar uma nova versão da ideia. O sitio
e o momento eram mais que propícios ,isto é,
Barcelona 2003, precisamente numa altura em que a Obra
do artista luso começa a chegar e a suscitar
interesse não só na Europa como também
no outro lado do Atlântico, nomeadamente Chicago
e Indianopolis. Por conseguinte, mãos à
obra e a arregaçar as mangas. Pierre Fontanals,
António Pessoa e Luis Santiago, com a imprescindivel
participação de Vicente Fernández
Lago, começam a recompilar todos os clientes
da Obra do artista até à data.Em 2003,segundo
fontes fidedignas o resultado final ascendia a mais
de um milhar de regulares. O projecto e o programa do
Ciclo Zodiaco foi enviado imediatamente via postal ou
e-mail, obtendo num curto espaço de tempo uma
adesão satisfatoriamente surpreendente. Deste
modo António Pessoa libertava-se de compromissos
pouco aliciantes com galerias de arte, passando a vender
directamente aos coleccionadores e a organizar exposições
da sua Obra por sua própria conta e risco. A
sua situação financeira triplicava de
un dia para o outro, um fundo de maneio que o artista
e os seus colaboradores através de um excelente
trabalho de equipa não perderam tempo em investir,
viagens Europa e Estados Unidos, longas estadias em
luxuosos hoteis, web designers, e dinner-parties onde
era convidada a elite de Barcelona, potenciais novos
coleccionadores, jovens criticos de arte de toda a zona
Euro e como não podia deixar de ser directores
de galerias de arte, os quais mesmo não usufruindo
do privilegio de se encontrarem no top 10 dos VIP, dadas
as novas circunstâncias, também não
eram nada para se deitar fora. António Pessoa,
mais do que nunca antes, envolve-se num sistema de trabalho,
divulgação e comercialização
da Obra, totalmente independente do lento e entediante
esquema das galerias de arte. Muito mais que proveito
financeiro, estimulo laboral e satisfação
pessoal, o Ciclo Zodiaco traz à vida de António
Pessoa uma refrescante dose de adrenalina, inspiração,
tranquilidade e decididamente, motivação.
Hoje em dia e graças ao Ciclo Zodiaco, o artista
luso conta com um número, a bem dizer, inconfessável
de clientes regulares da sua Obra, que em última
análise lhe permite dar-se ao luxo de efectivamente
poder escolher as opções e situações
que mais lhe agradam e certamente as mais adequadas
ao seu temperamento, Obra e ambições .
TODOS ESTES 10 ANOS ! Mais uma vez, depois de dois anos,
Hotel Albergaria Don Manuel abre as suas portas ao público
galego e do norte de Portugal para outra retrospectiva
da Obra de António Pessoa. Ao que parece segundo
fontes fidedignas muitas outras exposições
do artista luso estão previstas aqui mesmo no
jardim à beira-mar plantado. Justamente a Obra
que por estas terras galaico- portuguêsas foi
aqui executada pela inspiração e mãos
do artista, parece que por cá fica ,pelo menos
na sua esmagadora maioria. No periodo de Vigo,1997-2002
, mais de 3.000 óleos sobre tela nasceram para
a eternidade no estudio de António Pessoa, para
não falar das centenas de aguarelas, técnicas
mistas e acrílicos sobre papel. Conveniente também
é não esquecer que o controverso album
Black and White foi concebido e editado no espaço
destes super-produtivos anos. Após uma época
de relevante trabalho do autor nos primeiros anos da
década de 90,estimulada e comercializada por
Alfredo Moreira enquanto António Pessoa viveu
no Porto; Vigo, Galiza, Espanha recebe de braços
abertos um artista português até à
data desconhecido em terras do Finisterre. Vigo será,
durante cinco divertidos anos de intensa fertilidade
artística, a cidade onde Antonio Pessoa vive
e trabalha e se apaixona pela terra e pelas suas gentes,
inclusive acabando por contrair matrimónio com
uma espanhola. António Pessoa acaba por tornar-se
no artista luso mais conhecido em terras galegas de
todos os tempos. Hoje em dia nem mesmo Vieira da Silva
parece gozar de tanta popularidade. Numa terra de boa
gente, mas onde os portuguêses até há
pouco tempo eram olhados de soslaio, António
Pessoa consegue a proeza das proezas tornando-se decididamente
num excelente embaixador de Portugal. Porém,
o artista desde muito jovem habituado aos pros e contras
de se ser estrangeiro (...e português!) em vários
paises europeus, nomeadamente em Amsterdam e Londres
onde viveu durante seis anos...em terras galegas não
se deixa ficar pela simples visita, mas sim acaba por
ser aceite como património cultural da velha
Galiza. Lorenzo Quinn,filho do mesmíssimo Anthony
Quinn, em finais dos anos 90 na noite da inauguração
de uma exposição de esculturas de sua
autoria, nada mais nada menos que no prestigioso Club
Financiero de Vigo conhece António Pessoa e incute-lhe,
por assim dizer, um bichinho chamado Barcelona. O artista
luso ainda solteiro e depois já casado faz diversas
viajens à cidade Condal, BCN, Sitges e Castell
Defels, acabando por instalar-se em Barcelona em meados
de 2002. Aqui começa uma nova etapa da sua vida
e muito particularmente a sua expansão na Europa
e Estados Unidos. Vicente Fernández Lago, Luis
Santiago, Nancy Igartiburu, Jacob Kotsky e Pierre Fontanals
(entre outros) acompanham-no nesta dificil mas fascinante
aventura. Brigitte Lucas e Agnès Teixidó
colaboram com o projecto de António Pessoa em
Barcelona e David Leonardis em Chicago.2004 é
um ano decisivo na carreira do artista na medida em
que por uma serie de merecidas e devidas circunstâncias
é catapultado para uma nova escala de valor e
reconhecimento ibérico e internacional. Talvez
para desanuviar do reboliço da grande metropolis,
António Pessoa em 2005 consegue uma autêntica
pechincha e compra uma casa-estudio em Santa Eulalia,
Ibiza, aquilo a que o artista não tardaria em
chamar Home Studio.Home Studio- António Pessoa
tem-se tornado quase numa lenda, como se de uma marca
se tratasse, mas essencialmente o retiro paradisiaco
de um homem que adora o mar, sol e natureza. Tirando
partido da situação,Pierre Fontanals,Luis
Santiago e o erudito Mr. Jacob Kotsky aproveitam a ideia
do Home Studio para criarem um espelho mediático
da verdadeira alma do artista. A partir de 2005 Antonio
Pessoa regressa a Portugal e Galiza com certa assiduidade,
no entanto sempre de maleta na mão e mais o seu
habitual ar de resignação de um homem
que no fundo o que mais lhe apraz e o faz realmente
feliz é sem tirar nem pôr o velho critério
de amigos amigos, negócios aparte, profissão
muito bem, mas paz e sossêgo. Enquanto Vicente
Fernández Lago e os seus colaboradores locais
preparam uma serie de exposições em Portugal
e Galiza, 2007, Antonio Pessoa faz os últimos
preparativos para mais uma vez enfrentar o seu grande
amor e a sua grande dôr de cabeça. Nova
Iorque! Home Studio em Ibiza fica à espera do
regresso do dono da casa, sem dúvida uma promessa
de mais uma longa temporada de invenção,
trabalho e Obra no seguimento da sua nova linha pós-
contemporânea, The New Era. E ainda teimam alguns
em dizer que já está tudo inventado? António
Pessoa, Coração de Leão António
Pessoa, sempre fiel às suas convicções,
sempre fiel aos seus enraizados principios de base,
não se fazendo de rogar, porque nunca foi aliás
o seu estilo nem sequer pretender ser o que não
é, fazer o que não lhe compete nem amaldiçoar
os anjos porque o mundo está como está,
...mais do que nunca igual a si próprio e mesmo
na dúvida da saudável meta-filosófica-física...seguro
de si e de olhos postos no futuro, os pés bem
na terra e a Arte no momento presente... recusa ou ignora
propostas ou situações alheias à
sua indomável vontade...não certamente
por cinismo ou arrogancia, mas sim sobretudo porque
ao que tudo indica nada tem a perder, o que pode muito
bem significar pura e simplesmente não ter medo
de perder...o que nos leva a concluir que na pior das
hipóteses... só pode ganhar! No fundo
e no todo, António Pessoa actua como sempre tem
actuado. Imagina um quadro e pinta-o à sua maneira.
"I did it my way" de Sinatra se não
fôsse o infeliz anacronismo poder-se-ia pensar
que este tema foi escrito a pensar em Pessoa, António
Pessoa. "My way" no entanto ainda pode vir
a ser o hino de um artista português ,porque nasceu
em Portugal...acima de tudo um europeu, já que
Europa é o seu palco favorito, desde o romantismo
de Amsterdam, a cidade que o viu crescer até
ao brilho semi-tropical de Barcelona, cidade onde reside
e trabalha .Desde Paris, cidade por onde passou mil
e uma vezes e mil e uma histórias até
Ibiza, a ilha dos seus amores e aventuras de fins de
Primavera. Porém a questão importante
neste momento, é decididamente o seu teimoso
pacto com a situação perfeita. António
Pessoa rejeita situações mediocres talvez
com receio a ter uma indigestão...mas em última
análise, o mais certo a bem dizer, é que
o artista luso é o prototipo do homem que sabe
sempre o que quer. Aquilo que o torna numa Pessoa dificil,
justiça seja feita à sua reputação,
não será certamente um humor de bradar
aos céus, mas sim um Coração de
Leão que não se deixa domar nem com chicote
e muito menos com palavras meigas. Simplesmente António
Pessoa inventou um estilo de vida, numa selva de betão,
feroz e perversamente ambígua. Por assim dizer,
não querendo abdicar da sua invenção,
o artista muito frequentemente diz Não! Ouvir
o artista dizer que Sim, muito possivelmente é
porque alguém...ou uma situação...abriu-lhe
o apetite, abrindo as portas do seu Coração
de Leão! A história como sempre continua,
na arte, na vida, no mundo, como uma saga infinita,
como só um anjo na selva poderia conceber! António
Pessoa - Contemporary Plus O artista luso António
Pessoa, a partir de 2006 que sem dúvida parece
abdicar das suas velhas influências e interferências,
rompendo bruscamente com os tradicionais modelos, mitos
e os últimos vestigios da sua tão polémica,
boémia e academica Época Romântica,1997-2002.
Barcelona, foi desde 2002 o principio do seu Stand By
necessário, o seu periodo de reflexão,
consagração no país vizinho, um
progresso mais que evidente a nivel de maturidade pessoal
e um acumular de experiências, tudo isto inevitavelmente
culminando numa transformação absolutamente
metamorfósica e justamente, como não podia
deixar de ser, absolutamente drástica no domínio
das artes plásticas. A Nova Era - The NEW ERA,
António Pessoa - é precisamente a prova
inegável de uma nova tomada de consciência
plástica, de intuição cromática
e de expressionismo conceptual inovador. Longe estão
os tempos de Atlantis, Vigo e Porto, discotecas, pubs,noites
de boémia e aventuras mas acima de tudo longe
estão os tempos em que António Pessoa
ainda vibrava e brindava com os velhos mestres do século
vinte, nomeadamente Francis Bacon, Vieira da Silva,
Matisse, Picasso, Dalí, Kandinsky... para não
mencionar as desventuradas influências da retrogada
pintura galega. António Pessoa, despe os trajes
das velhas e obsoletas vanguardas e renasce frescamente
exorcisado como se de um novo personagem se tratasse.
Amaldiçoado por uns e admirado por muitos, o
certo é que o artista português promete
um futuro artistico, humano, profissional como aliás
era de esperar. Mais que contemporâneo, António
Pessoa dá claramente a entender que as suas ambições
plásticas vão muito mais além do
"Fashion",na verdade o artista decide sem
avisar dar um grande salto em matéria de invenção
plástica passando do Neo para o Plus. Eu, pessoalmente
ainda que não surpreendido, pois outra coisa
do homem não se podia esperar, devo no entanto
reconhecer - na mesma e precisa medida em que muitos
jovens criticos de arte já isto têm como
dado adquirido e facto consumado - que António
Pessoa mais do que Veni, Vidi, Vici... ultrapassou-se
a si mesmo com a coragem a que já nos tem habituados
e como um dos grandes portuguêses de sempre! Alfredo
Moreira - Porto . Algarve Os Anos Dourados Para todos
os efeitos, pensem e digam o que disserem, a grande
verdade é que foi em Portugal e muito particularmente
na cidade do Porto que o jovem artista António
Pessoa marca o golo da tranquilidade e do dia para a
noite passa a regime de pintor profissional. Dito e
feito, tiro e queda. O artista conhece Alfredo Moreira
um art dealer atípico, já que de um verdadeiro
gentleman se trata. Durante oito produtivos anos estabelecem
uma relação de cumplicidade, amizade e
profissional, estimulando e desenvolvendo uma situação
de profuso dinamismo, quer no âmbito da produtividade
artistica, quer no campo de estratégia comercial
propriamente dita. Alfredo Moreira sabe criar, desenvolver
e manter uma agenda de clientes por todo o país,
enquanto António Pessoa, desde muito cedo começando
a fazer justiça à sua reputação
de excelente profissional... entrega-se ao oficio das
artes plásticas com unhas e dentes, a um ritmo
de fabricação, dizem os entendidos, só
comparável a Pablo Picasso. E do dia para a noite,
o jovem pintor torna-se num campeão de vendas
o que leva Alfredo Moreira a não hesitar, passando
a comprar pontualmente toda a sua produção.
António Pessoa, independentemente do facto de
aos vinte e muitos anos gozar do privilégio de
uma situação financeira mais que invejável,
progride a passos largos tanto no dominio técnico
como nas possibilidades temáticas, de pura expressão
plástica, pensamento e inspiração.
Estes são os Anos Dourados em que o artista pela
primeira vez na vida tem a certeza de que só
há um caminho. Arte! Os seus tempos de nómada
caprichoso e Dolce Vita mediterrânica iam ficando
nas brumas da memória, para darem lugar a um
novo periodo, uma nova maturidade e um estilo de vida
radicalmente diferente. António Pessoa é
agora um homem financeiramente privilegiado e artisticamente
estimulado e realizado. Contudo, não por uma
questão de humildade gratuita mas sim, melhor
dizendo, por pura consciência filosófica;
não se deixa ofuscar pelo brilho do sucesso nem
se deixa ensurdeceder pelo som estridente dos clarins
da vitória. E a prova disto é sobejamente
conhecida, já que ao longo dos anos que se seguem,
nem a fama nem a glória, vão exercer qualquer
efeito na sua personalidade e muito menos no seu comportamento,
social e profissional. António Pessoa nestes
primeiros anos da década de noventa compra um
novo apartamento em Vila Nova de Gaia, deduz-se que
como simples investimento, já que de seguida
muda-se para o Algarve. Durante cerca de dois anos,
vive, namora, trabalha e deleita-se no seu espaço
favorito de Portugal. Aqui, em Armação
de Pêra ,produz as suas primeiras telas panorâmicas
de grande dimensão e de temática essencialmente
histórica, exaltando o passado glorioso de Portugal,
bem como alguns dramas que a todos nos dizem respeito.
Desta época pode-se fazer especial alusão
e referência à Conquista de Lisboa, Aljubarrota
e 1755. Alfredo Moreira não se deixando surpreender,
já que por então menos do artista sabe
que não pode esperar, não deixa contudo
de sentir uma crescente admiração por
António Pessoa, pela sua prolífera imaginação
e muito particularmente pela sua quase sobrehumana capacidade
laboral. Os ares e a vida do Algarve, como sempre aliás,
são de um modo geral, benéficos para o
artista, contribuindo enormemente para um perfeito estado
anímico como também para uma excelente
condição fisica. A sua relação
com Armanda Lamy, algarvia de gema e tradição,
dá-lhe o equilibrio necessário para que
se sinta no seu absoluto elemento. Viajam à noite
por todo o Algarve e ao fim de semana são frequentes
umas escapadelas a Sevilla, Vila Nova de mil Fontes,
Évora e até Lisboa. No entanto, apesar
do panorama idilico e ideal e como não há
Bela sem senão, a relação entre
os dois começa a deteriorar-se à medida
que Armanda Lamy parece dar sinais de pretender muitissimo
mais do que a Arte de Bem Namoriscar em Toda a Sela!
António Pessoa, já pai de dois filhos
e divorciado, não se sente à altura de
semelhante compromisso. Ele e Armanda Lamy já
levam um ano juntos e para o artista, tal como tudo
o que é bom acaba, parece-lhe que a situação
chegou a um grau de tensão insustentável.
Começam as suas viagens cada vez mais frequentes
ao Porto até ao dia em que decide ficar. Infeliz
com a forma como tudo terminou, o artista entrega-se
freneticamente ao trabalho, criando nesse ano em que
de regresso volta a viver na cidade Invicta, um impressionante
desfile de óleos sobre tela, acrilicos e aguarelas.
Porém o Porto irremediavelmente entristece-o,
provoca-lhe essa indomável e inexplicável
sensação de nostalgia e penumbra emocional.
De passagem por Vila Nova de Cerveira com o seu filho
que aí estudava, resolve dar uma vista de olhos
mais além do rio Minho. Galiza. Vigo!!! E aqui,
em meados dos anos noventa, mais precisamente em 1996,dá-se
o inicio da sua mundialmente conhecida Época
Romântica e igualmente o inicio propriamente dito
da sua brilhante carreira no país vizinho. Contudo,
de minha justiça digo eu, não convém
nem podemos esquecer de que foi no Porto, Portugal,
onde António Pessoa, pelas mãos de Alfredo
Moreira, obteve a sua primeira grande oportunidade,
a qual, e a César o que é de César,
o artista soube aproveitar com o brio, entusiasmo, honestidade
e capacidade de trabalho que são, por assim dizer,
as caracteristicas da sua marca! Antonio Pessoa - Hammersmith,
London, U.K. A bem dizer, António Pessoa inicia
a sua carreira artística em Londres e Amsterdam.
Se sim, que é verdade, que foi em Amsterdam que
arrancou definitivamente rumo ao universo das artes
plásticas, cidade onde reside durante mais de
seis anos...foi em Londres que António Pessoa
testemunhou o primeiro contacto entre a sua obra e o
público. Numa casa de três andares na famosa
Askew Road, Hammersmith,a poucas estações
de Leicester Square, António Pessoa vive da música
e nas horas livres dedica-se à pintura. Os seus
primeiros trabalhos são basicamente academicos,
inspirados nos mestres das primeiras vanguardas do impressionismo
como Renoir, Vincent Van Gogh,Monet e mesmo Turner.
Infelizmente (ou felizmente)...todos os apontamentos
plásticos executados em Londres ficaram nas brumas
da memória, para sempre perdidos no esquecimento
do grande público, ao contrário das obras
pintadas ao longo dos seis anos que vive em Amsterdam,
onde ainda hoje é possivel encontrarmos em galerias
de arte ou colecções privadas, trabalhos
de António Pessoa dos primeiros anos da década
de oitenta. Jacob Kotsky, amigo pessoal e apaixonado
estudioso da vida e obra de António Pessoa, nos
seus já inúmeros registros biográficos
sobre o artista, faz frequentes referências a
esta época extraordinária. Amsterdam foi
decisivamente a cidade que lhe proporcionou a inspiração,
o momento, que por assim dizer lhe despertou os sentidos
poetico-visuais rumo a uma aproximação
mais extensa e intensa ao mundo fascinante das artes
plásticas. Contudo parece-me absolutamente oportuno
e adequado estabelecer como referência exacta
que é efectivamente em Londres que António
Pessoa pinta e expõe os seus primeiros retratos
impressionistas. No entanto, só doze anos mais
tarde, já de regresso a Portugal, é que
António Pessoa realmente se transforma no fenómeno
hoje sobejamente conhecido, ainda que para isso outros
tantos tivessem que passar ,anos de experiência,
trabalho e dedicação, até aos dias
de hoje em que a sua reputação depois
do impacto no país vizinho, dá visíveis
sinais de bem navegar tanto na Europa como nos Estados
Unidos. Hammersmith, Londres, fica no entanto para sempre
como um marco importante na vida de um artista português,
talvez o sol nascente de uma vida que até agora
tem demonstrado ser, mais que uma corajosa aventura,
uma epopeia sublime através do universo da arte
contemporânea. António Pessoa - Self-Bio
Em finais de Setembro 2006,António Pessoa dá
inicio a uma nova colecção da já
popular e bem badalada série New Era. Uma nova
Época desde hà já algum tempo levantando
alguma polémica-ainda que ligeira- ,New Era de
António Pessoa vai tomando proporções
e dimensões consideravelmente serias e que sem
dúvida ,pura e simplesmente promete. Self-Bio,
justamente a mais recente colecção de
António Pessoa, apesar de ainda a dar os primeiros
passos suscita um interesse especial e particular dado
que se inspira efectivamente nas memórias do
artista, de conteúdo justamente autobiográfico.
Após quase três anos de interregno, o coleccionador
e critico de arte Jacob Kotsky, mais uma vez retoma
e segue pontualmente o desenvolvimento da nova Época
de António Pessoa, tanto um como o outro em mutua
sintonia e muito especificamente sintonizados com o
projecto em comum. E enfim, as boas noticias são
que não restam dúvidas de que New Era
de António Pessoa nasceu para viver uma longa
vida, pois já há muito que efectivamente
deixou de ser um sinal de mudança para ser uma
flagrante da vida real, da Arte real de um artista que
muito mais que contemporâneo é já
um simbolo relevante do neo-futurismo das artes plásticas.
Depois de Yellow collection, Art on white, Remix e Black
on white, agora Self-Bio , independentemente do seu
conteúdo temático de pura inspiração
autobiográfica, equaciona inovadoras e interessantes
combinações de forma e cor, um nivel técnico
visivelmente superior e um dominio de impacto visual
imediato - como não podia deixar de ser - absolutamente
presente e melhorado. Vamos a isso! António Pessoa
- Club Financiero de Vígo, 2006 - Dez Obras vendidas
A inauguração da exposição
de pintura de António Pessoa no Club Financiero
de Vigo, parece ter ultrapassado todas as expectativas.
Dez obras vendidas na noite da inauguração
não deixam margem para dúvidas quanto
à reputação do artista português
no norte de Espanha. Nem os discursos solenes de Don
Carlos Alvarez (Director da Galeria do Club Financiero
de Vigo) e de Don Vicente Fernandez Lago(Administrador
da Obra de António Pessoa em Espanha e Portugal)
fizeram acalmar os animos da Jet-Set galega e outros
que tantos do norte de Portugal. Nada ! Muitos artistas
colegas do pintor davam voltas e reviravoltas pela Galeria
e por todos os cantos do monumental edifício
na esperança de encontrar o artista. Nada! António
Pessoa, verdade seja dita e revelada,nesse preciso momento
encontrava-se em Las Palmas, Gran Canaria, em casa do
seu amigo Jacob Kotsky. Aí tem pintado estas
últimas semanas, preparando a sua nova colecção:
"The New Era ". Mais uma exposição
de António Pessoa A minha aterrissagem no aeroporto
de Santiago de Compostela mais a incongruente viagem
de camioneta (com ar condicionado!) até Vigo,
não me abrandaram o fluxo sanguíneo, pelo
contrário, parecem ter sobreactivado a minha
adrenalina. Regressar a Vigo e rever muitos dos meus
melhores amigos é sempre um prazer indescritível.
Talvez até mais que, enfim, contemplar mais uma
exposição de António Pessoa, pois
que vou comparecendo a quase todas ao ponto de se ter
já tornado rotina. Mas onde é que está
o artista? Mas aí estavam, as obras do Mestre,
bem penduradas e estudadamente seleccionadas segundo
um critério de lógica e temática.
"Mas onde é que está o artista? Onde
é que está António?" Apenas
dois pintores não comparecem às suas inaugurações
na Galiza. Jaime Quessada (porque é uma lenda
) e António Pessoa (porque,enfim,estava em Las
Palmas). Mesmo o próprio Lorenzo Quinn - filho
do famoso actor Anthony Quinn - compareceu, faz uns
anos, à sua inauguração de esculturas
aqui justamente no mesmo Club Financiero de Vigo, vestindo
um moderno fato e gravata e fazendo honra sem sacrifício
de toda a pompa e circunstância. Um Mito consagrado
na Galiza Se António Pessoa é já
quase um mito consagrado na Galiza, entre os seus amigos
o assunto é bem diferente, já que o artista
nem tem sequer idade para ser mito nem lhe parece interessar
muito aparentar semelhante estatuto. Por isso todos
o queriam vêr, como nos bons velhos tempos em
que o artista andava pelas ruas e Pubs de Vigo em juvenil
alegria e sobretudo em paz e sossego. Infelizmente,
para ele e todos nós, hoje em dia a cidade de
Vigo tornou-se para o artista num antro cheio de ameaças
conjugais ,para não falar das constantes quezílias
entre galeristas que disputam entre si pela sua Obra,
onde tudo parece valer, menos mordidelas. Põe-te
a pintar e deixa-te de histórias Mas resumindo
e concluindo ,a inauguração decorreu às
mil maravilhas e António Pessoa lá permaneceu
nos trópicos longe do reboliço "viguez"
e sobretudo são e salvo das garras de uma mulher
com uma certa dor de cotovelo e de um razoável
número de galeristas e marchantes que o "adoram"
- não tanto pelos seus lindos olhos - mas mais
pela sua cobiçada Obra. Regresso a Barcelona
bastante exausto, contudo plenamente satisfeito por
outro grande êxito de um dos meus artistas favoritos
e um dos meus melhores amigos. António Pessoa,
põe-te a pintar e deixa-te de histórias!
Expo . Hotel Le Meridien António Pessoa regressa
ao Porto en finais dos anos 80 para se reencontrar com
um animado turbilhão de amigos e predestinado
a conhecer outros tantos. Comodamente instalado no seu
espaçoso T4, apetrechado com o excelente piano
de marca Pleyel ,uma prenda vitalicia da sua avó
paterna, encontra igualmente neste apartamento os metros
quadrados mais que imprescindiveis para retomar a actividade
plástica. Em contraste com La Vída Loca
do sul de Espanha, a cidade do Porto parece-lhe envolta
num manto de nostálgica melancolia. A sua adaptação
a este ambiente ao principio parece-lhe rigorosamente
impossivel, contudo os amigos de colégio e os
novos com quem vai estabelecer relação,
acabam por fazer peso na sua decisão de ficar
por algum tempo. Mãos ao trabalho e em escassos
meses o atelier da cidade Invicta já dá
sinais de intensa actividade e mais importante sinais
efectivamente palpáveis de prolífera produção
artística. António Pessoa imediatamente
despacha os seus piores trabalhos vendendo-os aos prestigiosos
leiloeiros de Mouzinho da Silveira e a um marchante
de Fonte da Moura que avidamente compra tudo o que o
artista lhe disponibiliza. No entanto as suas obras
primas vão sendo meticulosamente seleccionadas
e armazenadas para eventos de, digamos, mais prestigio.
António Pessoa conhece por fim Ana Ferreira Mendes,
então sub-directora de informação
da RTP Porto, com quem passa a viver em regime semi-
matrimonial. Ana Mendes interessa-se não só
pelo artista como pela sua arte. Prepara-lhe uma serie
de exposições, nomeadamente no casino
de Espinho, galeria das caves Sandman, casino da Póvoa
e finalmente a apoteose desse programa tendo lugar no
Hotel Le Meridien. Para grande surpresa do artista,
aliciante surpresa, imagino, metade das obras expostas
foram vendidas na noite da inauguração.
Ana Ferreira Mendes, devido à sua posição
no seio da RTP Porto, tinha feito questão de
preparar uma razoável cobertura mediática,
convidando os seus mais proeminentes amigos da alta
esfera portuense;e como amigos dos nossos amigos nossos
amigos são, a Vernissage acabou por ser um desfile
de alta costura, má língua, beijinhos
e palmadinhas no ombro, um patatipatatá que se
prolongou pela noite dentro, mas que sem tirar nem pôr
acabou por mostrar ao jovem António Pessoa que
nem tudo o que reluz é ouro e que a sua Obra
era altamente aplaudida na sua cidade Natal. Mas apesar
de tudo e do grande êxito então, ainda
não foi dessa que o irreverente artista ganhou
o gosto pelas ruidosas vernissages. De facto os próximos
anos vão corroborar esta afirmação
na medida exacta em que António Pessoa muito
raras são as vezes em que efectivamente comparece
às inaugurações, quer porque se
encontre num outro lugar e num outro fuso horário,
quer simplesmente porque tanto quanto se sabe, sustenta
a opinião de que a Obra fala por si e a presença
obrigatória e protocolar de quem a deu à
luz é justamente uma situação supérflua
e até de inspiração exibicionista,
ogo perdoável. Esta exposição não
tendo sido necessariamente o despoletar de um entusiasmo
latente, terá sido segundo a lei das probabilidades
um binóculo de alta precisão, mostrando
uma perspectiva de futuro artistico profissional, o
qual como hoje sabemos de facto acabou por se concretizar.
E para, enfim, comprovar a minha tese, verificamos que
nos anos que se seguiriam, artista António Pessoa
gradualmente vai moldeando a sua forma de viver no formato
atípico que lhe é peculiar. A sua carreira
desenvolve-se com soltura, sorte, organização
mas também inevitàvelmente apoiada por
uma razoável habilidade de liderança,
porém curiosamente contrastada por um paralela
postura de descompromisso, como que salvaguardando uma
integridade interior, uma forma de viver e gestionar
o espaço e o tempo, como só os soberanos
do Renascimento sabiam fazer. Apesar de que a sua conversão
a tripeiro de gema nunca se tenha por assim dizer concretizado,
António Pessoa efectivamente e para sempre fica
a dever à cidade que o viu nascer, o grande arranque
profissional, bem como um status financeiro muitissimo
acima do que se poderia esperar para um jovem artista
récem-chegado ao mercado e ao mundo da Arte.
E resumindo e concluindo, a exposição
no Hotel Le Meridien fica como um marco histórico
na vida e Obra de António Pessoa, talvez a fronteira
entre o irresponsável, delicioso mundo de aventuras
e o pensamento plástico erudito, desenvolvimento
técnico, relação artista - temática,
levado ao expoente máximo da Arte por excelência!